[[legacy_image_204286]] O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, de 1,2% sobre igual período anterior (janeiro a março), superando as expectativas do mercado, poderá gerar um efeito propulsor no desempenho da economia daqui para frente, apesar de haver fatores funcionando no sentido contrário - o principal deles é a taxa Selic ainda muito elevada, de 13,75% ao ano. Parte desse avanço do PIB tem relação com benefícios concedidos pelo Governo, como a liberação de recursos do FGTS e a antecipação do 13º dos aposentados, e também por condições externas, de valorização das commodities devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, além do dólar mais caro, que estimularam as exportações. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Muita gente pode estranhar esses dados, até porque o quadro social não é dos melhores e o empobrecimento está nas ruas, mas os números do IBGE indicam uma sequência de melhora na comparação com uma base deteriorada no auge da pandemia. Isso é muito importante para animar o empreendedor a investir e a população a voltar a procurar emprego e consumir, resultando em uma retomada, mesmo que moderada, mas persistente. O fundamental é que o PIB veio com dados muitos robustos, com crescimento da indústria (2,2% na mesma base de comparação), dos serviços (1,3%) e da agropecuária (0,5%). Também houve um bom desempenho da locomotiva da economia, o consumo das famílias, que avançou 2,6%, e os investimentos subiram 4,8%, principalmente nos segmentos de construção e tecnologia da informação. No caso dos serviços, houve o reflexo da reabertura, com os consumidores saindo mais de casa, viajando e indo a bares e restaurantes, o que aumentou a oferta de empregos e a arrecadação de impostos. No agronegócio, o aumento foi mais tímido devido à seca, que prejudicou várias culturas, como a soja e o café, mas nessa área o mercado prevê uma rápida recuperação se o clima não surpreender. Já o consumo das famílias surpreende, pois esta conta sofre a pressão dos juros altos sobre o endividamento. A continuidade de sua recuperação depende de mais empregos de boa qualidade. Por enquanto, o desemprego cai lentamente e os postos gerados pagam baixos salários. Ainda há muito trabalho a ser feito. A grande incerteza vem de fora, com esperada recessão mundial barateando o petróleo, mas também as commodities. Mais uma vez o Brasil perde o bonde do crescimento mundial. Porém, se internamente o País fizer uma arrumação, o sofrimento será menor. Deve-se temer ainda alguns ruídos com tantos gastos públicos eleitoreiros não só do Governo, mas também embutidos nas propostas dos dois principais candidatos. Neste semestre, a concessão dos benefícios e a redução de impostos, que já derrubou o preço da gasolina na bomba na casa dos 20%, medidas de alto impacto fiscal e lançadas para dar resultados ao Governo nas urnas, devem ter efeito acentuado no PIB.