As montadoras instaladas no Brasil preveem vender pelo menos 3 milhões de veículos este ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em reportagem do jornal Valor Econômico. A expectativa, na verdade, gera mais alívio do que comemoração, pois o setor comercializou 3,8 milhões de unidades em 2012, recorde do setor. Desde então, esse segmento perdeu sua pujança e não conseguiu se recuperar até esse patamar. Na verdade, a retomada é uma surpresa porque a importação de automóveis chineses subiu feito foguete, assim como o país asiático, muito mais competitivo e com excedente de produção para se livrar, tomou boa parte da exportação do Brasil nesse segmento. De acordo com a Anfavea, o Brasil, que em 2005 exportou 897 mil veículos, neste ano enviará somente 435 mil ao exterior. Passados diferentes governos, as montadoras enfrentaram uma crise que se repete em toda a indústria brasileira frente às importações por falta de competitividade. Com uma política historicamente voltada a estímulos fiscais e reserva de mercado, o setor em geral encolheu devido a problemas clássicos do País, como falta de capacitação, burocracia, economia instável que retarda investimentos de modernização, e ainda dificuldade para inserir novas tecnologias. Esse desfecho mostra uma falta de política nacional de longo prazo, desestimulando a renovação do parque nacional e as exportações. O setor automobilístico nacional acumula neste ano 2,2 milhões de unidades vendidas, uma expansão de 18,1%, sobre igual período do ano passado. Já a produção cresceu 8,7%, na mesma base de comparação, para 2,17 milhões de veículos. Portanto, se os importados chineses não tivessem avançado tão rápido, as montadoras instaladas no País teriam atingido um salto impressionante. Essas empresas respiram agora com mais vendas, mas desde o recorde de 2012 amargaram uma fase muito difícil. Nessa época, otimistas, diz o Valor Econômico, passaram a ampliar o parque produtivo, chegando à capacidade de 4,5 milhões de veículos por ano. Mas, numa década marcada pela crise, as vendas recuaram e somente agora aumentaram. Hoje, o problema é que os chineses evoluíram muito mais rápido, a ponto de terem que exportar devido ao excedente que têm no próprio país asiático. Conforme a Anfavea, as vendas dos carros da China cresceram 106% em um ano no Brasil e, com veículos de outras origens, dominam um quinto do mercado interno. Contudo, as montadoras locais ganharam um empurrão do programa Carro Sustentável, do Governo Lula, com isenção do Imposto de Produção Industrial (IPI) para veículos básicos fabricados no País. A iniciativa garantiu 632 mil emplacamentos. Entretanto, não somente o setor, mas toda a indústria brasileira precisa ter sua competitividade estimulada, a ponto do País não depender da cotação do dólar e de medidas de estímulo ou de proteção para não acabar de vez.