[[legacy_image_335313]] A grande maioria da aquisição de imóveis é feita por financiamento. Portanto, garantir juros mais baixos para essas operações se tornou fundamental tanto para atender as necessidades das famílias como para aquecer o mercado imobiliário. Porém, o crédito depende da oferta de recursos para esse fim, caso contrário poderá se tornar o grande gargalo da habitação. Na edição de quarta-feira (14), A Tribuna publicou que uma das principais fontes para esse fim, a caderneta de poupança, perde vigor mês a mês após três anos seguidos de saques maiores do que os depósitos. São investidores que ficaram endividados ou desempregados e precisaram pagar suas contas sacando essa reserva ou encontraram opções de melhor remuneração acessíveis nos aplicativos dos bancos populares. O setor da habitação tem três fontes principais de captação de recursos para crédito. A principal é o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem muitas restrições a quem vai usar essa linha para financiar a casa própria, em troca de uma taxa mais baixa, atendendo a baixa renda e parte da classe média. Como o FGTS remunera pouco o trabalhador, em 5,8% em 2022 e 7,1% em 2023, ambos ao ano, a taxa do empréstimo imobiliário também é mais baixa, inferior a 10%. Já a poupança paga 7,91% ao ano ao investidor, sendo que os juros do financiamento com recursos da caderneta estão ao redor de 12%. Essa linha é chamada de Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e basicamente atende a classe média. É mais cara, mas mais flexível e cobre imóveis de até R\$ 1,5 milhão. Porém, se os recursos do FGTS e da caderneta ficarem comprometidos por uma demanda exagerada, quem tentar financiar um imóvel terá que buscar as linhas bancárias com recursos próprios de cada instituição. A taxa vai depender do relacionamento do cliente com o banco, ficando exposto a uma taxa mais salgada. Isso é muito ruim para o comprador, mas também para o setor imobiliário, pois haverá mais custos financeiros. Por isso, é importante que o governo tente multiplicar as fontes de recursos para a habitação, ao mesmo tempo em que é preciso tornar a caderneta mais atraente. Pela remuneração é algo difícil, pois ela vai recuar conforme a queda da taxa Selic. Porém, hoje ela rende apenas um dia no mês, no chamado aniversário da conta, enquanto o papel Tesouro Selic, seu concorrente direto, garante rentabilidade em qualquer dia da retirada. Também é fundamental preservar o FGTS, que não dá grande rentabilidade ao cotista, mas que vem garantindo retorno acima da inflação. Entretanto, o FGTS tem sido usado para estimular a economia com saques parciais e há todo tipo de proposta no Congresso, como sacá-lo para comprar de geladeira a carro zero. Porém, sem esses recursos o impacto socioeconômico será múltiplo, da falta de crédito à menor geração de emprego pela construção civil.