Dados divulgados quarta-feira (12) pela manhã mostravam que havia 44.730 casos confirmados de coronavírus na China, sendo que 1.114 pessoas morreram vítimas da doença no país. No resto do mundo, eram 397 casos confirmados, com apenas uma morte, de um cidadão chinês, ocorrida nas Filipinas. Não há, até agora, registros de coronavírus na África e na América Latina. O risco de epidemia global persiste, e ações preventivas das autoridades, nacionais e internacionais, devem ser empreendidas. A questão é grave, e embora a letalidade da doença seja baixa (2% dos casos, segundo especialistas), sua expansão pode causar milhares de vítimas fatais, além de sérios prejuízos à economia global. Já há perspectivas mais otimistas em relação à doença. O conselheiro médico mais graduado do governo chinês, o epidemiologista Zhong Nanshan, afirmou que o surto pode ser controlado até abril, enquanto o número de pacientes recuperados na China teve crescimento relativamente rápido, com a taxa subindo para 10,3% na terça-feira, bem acima do registrado em 27 de janeiro, que era 1,3%. O coronavírus segue como ameaça, mas é preciso lembrar que outras doenças contagiosas estão presentes na realidade brasileira. Basta lembrar que, em 2019, até o dia 23 de novembro, houve 13.489 casos confirmados de sarampo no país, com 15 mortes. 75,8% deles ocorreram no estado de São Paulo, em 147 municípios, concentrando quase todos os óbitos (14 no período). A dengue continua sério e grave problema de saúde pública. Em 2019, houve aumento de 488% nas ocorrências da doença em todo o Brasil, quando comparado com o ano anterior. Foram 1.544.987 casos (33% deles em São Paulo), sendo que 782 pessoas morreram vítimas da dengue. Houve ainda 10.708 ocorrências de zika, elevação de 52% entre 2018 e 2019, com 92 mortes. Quando são somados os casos de dengue, zika e chikungunya, todos transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, o aumento foi de 248% na comparação anual. E os primeiros dados de 2020 são alarmantes: entre 29 de dezembro e 18 de janeiro, o Ministério da Saúde contabilizou 30.763 casos prováveis de dengue, número equivalente aos do coronavírus na China. Na Baixada Santista, informação preocupante foi divulgada: a leptospirose, transmitida pela urina dos ratos, que se propaga mais com enchentes, matou 18 das 73 pessoas diagnosticadas com a doença na região em 2019, representando 23,3% de todos os óbitos ocorridos no estado de São Paulo. As mortes na Baixada Santista por leptospirose superaram as que aconteceram na Capital (16), entre os 170 casos ali registrados. O coronavírus exige atenção, mas é preciso ir além: outras doenças, bastante conhecidas e há muito tempo presentes, têm alta incidência no País (e na Baixada Santista) e exigem cuidados e políticas públicas eficientes.