(Reprodução/Redes sociais) Após os investidores terem suas expectativas frustradas com o resultado da eleição, o mercado financeiro derrubou as ações e o dólar disparou. Como se esperava a vitória de um outro plano de governo, que antes trouxe uma acentuada valorização dos ativos, ontem veio a correção brusca. Em meio ao clima de comemoração do triunfo petista e da oposição avaliando a dimensão de sua derrota, há questões urgentes que se impõem. A mais relevante delas é o rumo das contas públicas, atualmente em um quadro ruim, mas não caótico. Porém, para os dois próximos anos, se nada for feito conforme as dimensões do problema exigem, a deterioração fiscal poderá se tornar uma grande tragédia. Ontem, além da tensão na Bolsa e no câmbio, o juro futuro para 2028 subiu até 2,5 pontos percentuais de sexta-feira para ontem. Essa taxa reflete as expectativas para a Selic e a própria inflação e também impacta as dívidas. A reação de ontem refletiu a desconfiança do mercado de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai fazer o ajuste das contas públicas em seu quarto mandato. Porém, não há outro caminho a não ser o da arrumação fiscal. O petista já precisa encontrar R\$ 20 bilhões no orçamento para dar conta das despesas criadas na campanha eleitoral, soma que poderá subir para R\$ 40 bilhões em 2027. No começo deste atual mandato, o governo acabou com o teto de gastos, que era ineficiente, mas funcionava para conter a gastança. Já o arcabouço acabou se tornando um mecanismo para acomodar o aumento das despesas, sem ter que fazer cortes profundos, como a situação o exigia. Neste ano, em sua campanha, Lula descartou fazer ajuste fiscal. Ontem, em paralelo ao terremoto nos segmentos de Bolsa, câmbio e juros, segundo reportagens, integrantes da equipe econômica teriam discutido soluções com economistas de renome do mercado. Entre as possibilidades estaria a de revisar a isenção de Imposto de Renda de alguns investimentos, como a LCA, ideia que meses atrás gerou forte reação do agronegócio por ser uma fonte de financiamento alternativa. O primeiro ano de governo em seu novo mandato será a chance que Lula terá para mostrar que vai fazer uma gestão diferente da atual. Ele disse isso no amplo sentido de sua estratégia política, abrindo-se para o centro e aliados que não integram a esquerda, uma promessa que fez há quatro anos e não cumpriu. Agora, o petista, que fez sua campanha voltada a programas sociais, soberania nacional e defesa de causas identitárias, precisa levar esperança não só aos jovens que integraram sua campanha, mas também aos que não votaram nele. Há pontos de estabilidade que ancoram sua gestão, como mercado de trabalho perto do pleno emprego, crescimento econômico moderado, saldo comercial elevado, ampla carteira de concessões de infraestrutura e atração de investimentos estrangeiros na produção e nos serviços. Porém, o ajuste fiscal é a incógnita que persiste.