[[legacy_image_294314]] Crescimento da movimentação de cargas, instalação de grandes empresas, novas tecnologias que garantem eficiência de operações com menor custo, capacitação de mão de obra para operar novas e modernas ferramentas, compliance, sustentabilidade e inovação, proximidade com grandes centros consumidores, abundância de água. Colocadas em um quadro de análise minuciosa sobre virtudes e defeitos, essas seriam as vantagens competitivas do Porto de Santos, o maior e mais importante da América Latina, para onde todos os olhares do agro se voltam quando o assunto é escoamento de carga. Do outro lado da análise estão questões quase rudimentares, que de tão antigas que figuram no lado das desvantagens parecem saídas de noticiário velho. Uma delas é a questão dos acessos rodoviários e, mais especificamente, a existência de apenas um viaduto que liga a Via Anchieta à Margem Direita do porto. Há anos operadores, empresas, caminhoneiros e todos os demais usuários do cais reivindicam um segundo acesso, legítimo e necessário. Na semana passada, caminhoneiros fizeram novo protesto contra o que consideram um dos piores gargalos logísticos do porto. Representantes de empresas instaladas no Distrito Industrial da Alemoa buscam há anos soluções junto às autoridades municipais, estaduais e federais para eliminar esses gargalos enfrentados diariamente nos acessos terrestres ao Porto de Santos. Eles reivindicam ao Poder Público a construção de dois viadutos, um para saída da Alemoa e outro contemplado no projeto da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips). Há ações que competem à Prefeitura, outras ao Governo do Estado e outras ao Governo Federal. Um dos mais urgentes é a construção de um segundo viaduto de saída na Alemoa, evitando, assim, os constantes congestionamentos que travam, inclusive, a entrada de Santos para quem vem da Capital. Há uma estimativa feita pelas entidades do setor que indicam um fluxo de 7 mil a 8 mil caminhões dentro do Bairro Alemoa por dia, de segunda a sábado. Com um único acesso, o estresse é diário, como o ocorrido semana passada, quando caminhoneiros paralisaram as atividades em sinal de protesto. "Se olharmos para o conjunto de ações das últimas décadas, constatamos que foram construídas a segunda pista para automóveis da Rodovia dos Imigrantes, as perimetrais de Santos e Guarujá, o Rodoanel, novos berços, além de novos e modernos terminais. E continuamos somente com a Anchieta para caminhões e o mesmo Viaduto da Alemoa para acesso à Margem Direita do Porto, que representa, ainda, mais de 50% do movimento de Santos. Ficamos verdadeiramente como um funil”, disse, com razão, o presidente da entidade que representa as empresas da Alemoa, João Maria Menano. Que a fala reverbere como um sinal de alerta. Não olhar para os acessos é ampliar as desvantagens competitivas de um porto que tem tudo para crescer ainda mais.