[[legacy_image_261646]] A invasão aos prédios dos Três Poderes em Brasília, cujas responsabilidades pareciam destinadas a serem apontadas nos tribunais e na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) a ser criada em breve, ganha novo capítulo com as imagens que mostram o agora ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Gonçalves Dias, supostamente escoltando invasores para a saída do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. Por mais difícil – para não dizer impossível – que seja, a apuração e as eventuais punições precisam deixar os contornos políticos de lado e se ater aos aspectos técnicos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Inicialmente contrário à criação da CPMI, por entender que ela desvia o foco de assuntos mais relevantes e tem potencial para atrasar votações decisivas, o governo agora defende a instalação. Em defesa da administração, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, alega que a divulgação das imagens, pelo canal CNN, foi um “vazamento editado”. Entretanto, ele reconhece que o caso altera a “situação política” da gestão Lula junto ao Congresso. Com o início dos trabalhos, Padilha espera que os depoimentos a serem prestados, com transmissão ao vivo e desdobramentos imprevisíveis, a exemplo do que ocorreu na CPI da Covid-19, “seja a pá de cal naqueles que criam teorias conspiratórias”. Seja como for, a situação de Gonçalves Dias ficou insustentável. Amigo de longa data de Lula, ele pediu demissão para tentar minimizar o desgaste. Do outro lado, a oposição, que já lutava pela criação da CPMI por entender que houve facilitação das autoridades à invasão dos prédios públicos e excesso nas punições aos invasores, agora se sente ainda mais fortalecida e com um novo ponto de partida para sustentar sua tese. O Governo Lula distribuiu verbas e cargos no segundo escalão a parlamentares do Centrão com o objetivo de retirar assinaturas pró-CPMI. O entendimento do Planalto é de que, independentemente do tema analisado, uma comissão como essa sempre gera desgastes ao governante de plantão. Contudo, mais do que buscar apoio político, o governo e todos aqueles que investigam o caso deveriam ter tido mais transparência. Por que não divulgar todas – ou mais – imagens da invasão? No intuito de preservar a investigação, abriu-se margem para ilações e suposições de conivência governamental. Durante a campanha eleitoral, Lula falou em pacificar o País e unificar os desiguais depois de anos de confrontos e divisões. Em suas primeiras ações e gestos, porém, ele foi na contramão, dando declarações que mostraram revanchismo e pouca ou nenhuma cautela acerca de temas delicados. Chegou a criar um mal-estar diplomático ao enxergar culpa na Ucrânia pela invasão russa. Para superar os desencontros e atingir um mínimo de estabilidade, fundamentais nesse momento, o presidente da República deve dar exemplo e ser um agente de equilíbrio.