A força do setor agropecuário nacional é evidente. Investimentos em tecnologia, em várias frentes – pesquisa, fertilizantes, defensivos, máquinas e equipamentos – aumentaram de forma significativa a produtividade no campo, fazendo com que a produção crescesse continuamente, batendo recordes sucessivos. A demanda internacional pelas commodities agrícolas e por produtos pecuários contribuiu bastante para a expansão das atividades, que têm trazido importante contribuição para a balança comercial brasileira. As estimativas para o desempenho do setor em 2019 são positivas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário deverá aumentar 1,4% neste ano, com aceleração a sobre previsões anteriores: em agosto era apontado avanço de apenas 0,5%. O cenário para 2020 é ainda mais animador. O Ipea avaliou dois cenários: com base no prognóstico para a safra de grãos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa de crescimento é de 3,2%; levando em conta informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê colheita recorde no próximo ano, a previsão de alta chega a 3,7%. A conjuntura desfavorável nas cotações de commodities no mercado internacional não impede as expectativas favoráveis, e a avaliação de especialistas é que o agronegócio brasileiro irá resistir bem. Confirmados os números do Ipea, o PIB do campo deverá crescer quase o dobro do previsto para o PIB nacional em 2020. Em 2019, os bons resultados foram influenciados principalmente pela pecuária, que deverá crescer 1,8%, enquanto as cadeias de bovinos, aves e ovos terão altas de 2,1%, 2,1% e 3,4%, respectivamente. O efeito na Bolsa de Valores pode ser percebido: as companhias de proteína animal foram as que tiveram melhor desempenho setorial neste ano, com variação de 101,7% em suas ações. O valor de mercado conjunto das empresas JBS, BRF e Marfrig passou de R\$ 52,8 bilhões para R\$ 106,6 bilhões. Na agricultura, o resultado é mais modesto em 2019, com previsão de aumento de 1% no valor adicionado das lavouras. Os destaques foram o milho e algodão, mas houve recuos na cana de açúcar e café. Para 2020, a pecuária continuará em destaque (a previsão é de avanço de 4,3%, puxado pela produção de bovinos, com 5,8%, com maior demanda da China e dos Emirados Árabes Unidos), mas há expectativa de crescimento mínimo de 4,7% na soja, embora o milho deva recuar 1,7%. Outra informação importante é a terceira queda consecutiva nas taxas médias praticadas nas operações de crédito rural, que cria condições melhores para a produção no campo. O campo traz boas perspectivas para 2020 e deve contribuir para a melhora das condições econômicas do País: cabe aproveitar ao máximo tais efeitos positivos.