[[legacy_image_301893]] Neste ano, a economia brasileira acumula uma série de boas notícias: a queda de um ponto percentual da taxa Selic, com expectativa de recuo de mais um ponto até dezembro, balança comercial acima de US\$ 60 bilhões, reforma tributária, a aprovação de medidas de austeridade e o crescimento acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB). Houve ainda o recuo da inflação, agora abaixo de 4% ao ano, e a redução acelerada do desemprego. Porém, essa série de mudanças demora a repercutir no mercado financeiro, que persiste com quedas seguidas da Bolsa e uma subida forte do dólar, que rompeu a barreira dos R\$ 5,10. Por trás desse mau humor há dois fatores, os juros dos Estados Unidos e a condução fiscal pelo Governo Lula. O primeiro não há como evitar e o segundo, resta apenas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser convencido pela equipe econômica de que não é hora de pisar no acelerador do gasto público. Isso porque a arrecadação está em queda, inclusive nos estados e municípios, reflexo da Selic elevada que freou o País e também da deflação, que deixou uma série de produtos e serviços tributados com valor nominal menor. Aliás, o crescimento recente do País se dá sobre uma base ruim, de 2022, e não é tão vigoroso. Contudo, espera-se para os próximos meses uma arrecadação maior sobre uma economia mais aquecida. O grande risco ao País são os EUA, que mantêm os juros do Tesouro na casa dos 5%, sendo que há dois anos estava abaixo de 1%. Como esses papéis são os mais seguros do mundo, os grandes fundos preferem sair dos mercados emergentes. É o que explica a queda do Ibovespa em setembro, quando os estrangeiros tiraram centenas de milhões de dólares por semana. Eles preferem as ações mais negociadas, como Vale, Petrobras e bancos, porque conseguem vendê-las facilmente. Os fundos brasileiros também tendem a sair da Bolsa para pagar cotistas, que fazem saques por ficarem incomodados com a desvalorização. Essa saída, que também prejudica a indústria de títulos públicos e privados brasileiros, pressiona o câmbio devido à expectativa de escassez de dólar. A fuga de moeda deixa o petróleo mais caro no Brasil (na conversão do dólar para o real), mas, por sorte, com a expectativa de baixo crescimento mundial, o barril voltou a cair nesta semana. Há ainda outro problema. Os juros altos dos EUA pressionam os papéis brasileiros a pagarem taxas mais altas para segurarem os investidores. Isso é ruim para o aquecimento do País, pois uma remuneração melhor da renda fixa desestimula o consumo e a atividade produtiva. O quadro mundial está mais desafiador, porém, a diferença é que agora o País vive um momento expansionista, o que protege a economia por algum tempo contra eventual revés global. Entretanto, o governo precisa saber conduzir com muito cuidado o gasto público, evitando que um aumento de impostos aniquile a retomada.