[[legacy_image_176747]] Fundamental para o meio ambiente, a reciclagem de materiais anda a passos curtos no Brasil - apenas 2,1% dos resíduos sólidos são reaproveitados, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. O plano é saltar para 50% em duas décadas, uma meta ambiciosa difícil de ser cumprida se o ritmo da recuperação dos descartes não for acelerado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não se trata de aumentar as multas, ainda que as regras possam ser endurecidas. Antes é preciso conscientizar a população, que também tem que ser amplamente informada sobre o que deve ou não ser feito. O consumidor em geral sabe que papel, vidro, plástico e alumínio podem ser reaproveitados, mas muitas vezes desconhece os locais ou horários de coleta e como os materiais devem ser encaminhados. Em reportagem publicada ontem em A Tribuna, o presidente da ONG Sem Fronteira, Marcelo Adriano da Silva, que atua com reaproveitamento de resíduos há 12 anos, alerta para a necessidade de retirar o resto de alimentos das embalagens. Porém, não é preciso fazer uma limpeza geral, que vai causar outra perda ambiental, de água. Portanto, reciclagem é basicamente estimular o cidadão a cumprir as melhores práticas. O reaproveitamento de resíduos também depende da indústria e dos setores de serviços e da agricultura. As empresas devem ser envolvidas nos processos, com os governos estimulando o uso de materiais alternativos de menor impacto ambiental e a implantação de cadeias mais amplas e eficientes de reúso. Já há leis e acordos fechados com os diferentes segmentos econômicos para a completa circulação de materiais, que após o descarte pelo consumidor, retorna ao fabricante para a reutilização dos materiais para evitar, por exemplo, a retirada de mais insumo do meio ambiente. A expansão dos meios de reaproveitamento depende da valorização dos profissionais recicladores, que têm uma importante função ambiental, mas citam uma baixa remuneração ou utilizam esse meio com forma de subsistência, à margem do mercado consumidor. Hoje o alumínio é considerado o material mais viável economicamente para a reciclagem, enquanto há insatisfação do setor com o valor pago por outros insumos, como o vidro, o que é muito ruim, pois ele demora a se decompor no meio ambiente. Neste caso, o melhor é desestimular os plásticos descartáveis, utilizando mais garrafas retornáveis. Enfim, há inúmeras iniciativas a serem adotadas e outras que, já implantadas, precisam ser expandidas. Mas falta envolver toda a sociedade. O cidadão deve ser conscientizado sobre o uso excessivo de sacolas e outras embalagens. Basta observar a imensa quantidade de materiais que é atirada no chão nas regiões comerciais das cidades ao longo dia e, quando as lojas fecham e as ruas ficam vazias, há muito lixo fora das lixeiras. Muitos resíduos poderiam seguir para sistemas de reaproveitamento, mas vão para os aterros ou até lixões.