[[legacy_image_327063]] O governo age corretamente ao decidir estimular a produção de carros eletrificados no País, aparentemente não apenas como iniciativa importante contra as mudanças climáticas, mas também para inserir a indústria brasileira nessa cadeia movida a inúmeras novas tecnologias. No fim das contas, além de atrair mais capitais externos ao País, serão criados postos de trabalho das novas carreiras do século 21, impedindo que o Brasil se torne quase que exclusivamente um exportador de commodities (produtos agropecuários e minerais com cotações definidas em bolsas de mercadorias internacionais). Entretanto, o País tem um histórico de programas de estímulo voltados à reserva de mercado ou substituição de importações que fracassaram, pois não necessariamente modernizaram o parque industrial nacional. Por outro lado, no caso dos carros eletrificados, essa política de incentivo precisa buscar no médio prazo, no mínimo, a redução dos preços, pois são produtos ainda muito caros até para a classe média. Além disso, é preciso que toda a cadeia de produção seja desenvolvida, desde o fornecimento de minerais e fabricação de baterias até os componentes elétricos e, quem sabe, os semicondutores, hoje quase todos produzidos em Taiwan, que domina 80% desse setor, e o restante na Coreia do Sul, China e Estados Unidos. A ideia do governo com o programa Mover, que vai substituir o Rota 30, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, é elevar o Imposto de Importação dos veículos eletrificados ou híbridos até o pico de 35% em 2026, e com essa receita fornecer crédito à fabricação nacional desses produtos. O problema é que as primeiras montadoras – as chinesas BYD e GWM e a americana GM – motivadas a produzi-los no Brasil, de início, importam esses carros enquanto esse mercado se expande aos poucos e seus parques industriais são construídos. Como também há uma disputa agressiva entre os estados, em especial os do Nordeste, por essas empresas, já há intensa pressão política sobre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), conduzido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pelo programa Mover. Apesar das cifras bilionárias que começam a ser envolvidas, não se pode perder o foco na eficiência energética, de redução acentuada dos combustíveis fósseis, para proteger o meio ambiente, portanto, garantindo a sobrevivência das atuais e futuras gerações. É necessário ainda que os veículos eletrificados ou híbridos, lembrando que o etanol também é uma fonte sustentável e importante para combater a emissão de gases, sejam lançados também na forma de modelos com preços mais acessíveis. Além disso, é preciso ampliar a oferta de pontos de recarga não só nas cidades como nas rodovias, viabilizando viagens mais longas. Também é fundamental treinar mão de obra tanto para as fábricas como para atividades de manutenção desses carros sustentáveis.