(Prefeitura de Praia Grande) O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (23), chega em um momento oportuno. Mais do que uma compilação de estatísticas, oferece um retrato fiel de avanços que merecem ser reconhecidos e de desafios que continuam a exigir respostas firmes da sociedade e do poder público. Há, sem dúvida, um dado a ser comemorado. O Brasil registrou, em 2025, 40.775 mortes violentas intencionais, uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior e a menor taxa da série histórica: 19,1 homicídios por 100 mil habitantes. Trata-se de uma conquista importante, fruto de políticas públicas consistentes, investimento em inteligência policial e melhora na gestão. Mas seria um grave equívoco imaginar que o País se tornou mais seguro apenas porque os homicídios diminuíram. A violência mudou de rosto e, em alguns aspectos, tornou-se ainda mais cruel. O feminicídio segue em trajetória ascendente, revelando que milhares de mulheres continuam sendo assassinadas justamente onde deveriam estar protegidas: dentro de casa. Não se trata apenas de uma questão de segurança pública, mas também de um fracasso coletivo na prevenção, proteção das vítimas e punição dos agressores. Outro alerta vem do ambiente digital. A explosão dos estelionatos eletrônicos, das fraudes financeiras e dos golpes pela internet mostra que o crime organizado soube adaptar-se aos novos tempos com velocidade superior à capacidade de reação do Estado. Hoje, o prejuízo financeiro e emocional provocado por um golpe virtual atinge milhões de brasileiros, exigindo investigação especializada, inteligência tecnológica e campanhas permanentes de orientação. Ainda mais perturbador é o avanço dos crimes de abuso sexual infantil na internet. O Anuário contabiliza 4.063 vítimas apenas em 2025 e revela que mais de um terço dos autores identificados eram adolescentes. É um dado que evidencia a necessidade de fortalecer a atuação das polícias e do Judiciário, mas também que nenhuma política pública será suficiente se a família abdicar de seu papel. Educar meninos para o respeito, para os limites, para a responsabilidade e para o uso consciente da tecnologia continua sendo uma tarefa insubstituível. Valores não se aprendem apenas na escola ou nas redes sociais, mas também dentro de casa. Governos precisam investir em investigação, tecnologia, acolhimento às vítimas e prevenção. Mas a sociedade também deve assumir sua parcela de responsabilidade na formação das novas gerações. A divulgação do Anuário ocorre a poucas semanas do início das campanhas eleitorais. Não poderia haver momento mais oportuno. Os números apresentados devem servir de guia para que o eleitor vá além dos slogans, das promessas genéricas e das peças publicitárias inteligentemente produzidas. É preciso cobrar propostas objetivas, metas mensuráveis e soluções factíveis para enfrentar as novas caras da violência. Segurança pública não se faz com marketing, mas com planejamento, continuidade e investimento.