Enquanto em Brasília a crise consome o Supremo Tribunal Federal e o Congresso se ocupa somente da campanha eleitoral, o Rio de Janeiro voltou a expor, na última segunda-feira, a violência urbana nua e crua que abala as grandes cidades. Dois ônibus com crianças de 11 e 12 anos em excursão foram interceptados para impedir o fluxo da Linha Vermelha, no Complexo da Maré. Enquanto os bandidos agem sem medo das forças de segurança, os candidatos do Legislativo e Executivo seguem fazendo as promessas de sempre para garantir segurança à população, em repetição às eleições anteriores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Aliás, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo Governo Federal e aprovada pela Câmara, segue parada no Senado. O tema, apresentado no ano passado, tramitou lentamente, resultado da falta de entendimento e com a situação e a oposição de olho nos holofotes das eleições. Na segunda-feira, a Polícia Militar realizava uma operação com 200 agentes. Nenhum dos estudantes, que são de uma escola particular, saiu ferido, enquanto um aluno de 12 anos de uma unidade municipal próxima foi atingido no rosto por estilhaços de granada e teve alta horas depois. Três suspeitos foram mortos e um adolescente de 15 anos ficou sob custódia no hospital. Esse ataque é mais um dos vários com conexão com facções. Segundo o jornal O Globo, a PM disse que a ordem para usar os ônibus como barricadas partiu de um chefe do Terceiro Comando Puro (TCP), um traficante com 79 registros criminais e 26 processos na Justiça, ainda em liberdade. Os bandidos teriam decidido abandonar os veículos ao notarem tantas crianças. A polícia disse que deteve 12 criminosos e apreendeu armas, munições e granadas. Esse episódio impactou mais uma vez o Complexo da Maré, que tem 140 mil habitantes e é cortado pelas linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil. A violência paralisou 41 escolas e quatro postos de saúde, ficando próximo de ocorrer uma tragédia de grandes proporções. Mais tarde, o governo fluminense disse que “repudia” o ataque à população e que vai tomar todas as medidas para que “episódios semelhantes não se repitam”. Este caso não deve ser visto como um problema do Rio de Janeiro. As facções criminosas se multiplicaram e estão espalhadas não somente pelas metrópoles, mas também pelas cidades médias e no Interior do País. Essas organizações agora têm laços com a política e se infiltraram na infraestrutura pública e em negócios privados para lavar dinheiro, se tornando máfias. A PEC da Segurança Pública mira esse fenômeno, mas não é consenso por ampliar a força das corporações federais e mudar as competências federais e estaduais. Porém, ela endurece as penas contra o crime organizado. Infelizmente, até em assuntos de urgência como esse, o Congresso e o Poder Executivo não conseguem se entender e produzir resultados para o País.