(Divulgação/Prefeitura de Mongaguá) O Litoral Sul vive um momento que merece atenção. Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe registraram crescimento no mercado imobiliário em 2025, com mais construções aprovadas e aumento da movimentação de imóveis novos e usados. São números que confirmam uma tendência perceptível a olho nu: o avanço da ocupação para além do eixo tradicional da Região Metropolitana da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em Mongaguá, a Prefeitura expediu 322 alvarás de construção no último ano, alta de 17,9%. Em Itanhaém, o salto foi ainda mais expressivo: de 300 pedidos de construção nova em 2024 para 477 em 2025, crescimento de 59%. Peruíbe teve queda nos alvarás, mas registrou aumento no número de habite-se e também crescimento na arrecadação do ITBI, sinal claro de que o mercado continua girando. Esse interesse faz sentido. Há um fator determinante, simples e poderoso: o Litoral Sul ainda tem espaço. E o preço do metro quadrado, em muitos casos, é mais acessível do que nas áreas centrais e já saturadas da Baixada Santista. Para quem vem da Capital, do ABC ou do Interior, agora com a realidade do trabalho remoto consolidada, a equação parece lógica: morar ou investir onde ainda há terra, mar e oportunidades. Mas a expansão merece um ponto de atenção e cuidado. A oferta de áreas disponíveis é uma virtude. E uma virtude rara em tempos de cidades comprimidas, onde o crescimento ocorre por substituição, derruba-se o velho para erguer o mais alto. Só que esse “estoque” territorial precisa ser utilizado com parcimônia. Não se trata de ser contra o desenvolvimento. Trata-se de entender que desenvolvimento sem planejamento cobra um preço alto: na circulação do ar, no trânsito das vias locais, na capacidade real das ruas, na pressão sobre serviços, no impacto sobre a drenagem e no esgotamento sanitário. Hoje, o mercado já vende mais do que imóveis: comercializa qualidade de vida, que pode ser interpretada como mobilidade fluida, cidade caminhável, infraestrutura compatível com o crescimento. Para que esses fatores sejam garantidos, é preciso de zoneamento inteligente que equilibre expansão e sustentabilidade. Peruíbe, por exemplo, preserva um perfil mais horizontal e tem limitações claras à verticalização, especialmente na faixa próxima à praia, onde prédios são permitidos apenas até quatro andares. É um modelo que evita impactos maiores na infraestrutura e mantém a identidade urbana. Já Itanhaém vive um avanço mais recente da verticalização, com incentivo em áreas de ocupação prioritária, o que exige atenção redobrada para não repetir erros históricos da região. Mongaguá, por sua vez, revisa a Lei de Uso e Ocupação do Solo, um debate que precisa ocorrer com transparência e foco no interesse público, não apenas na velocidade dos lançamentos. O Litoral Sul está sendo descoberto como parte importante da região para além do veraneio. O desafio é fazer dessa oportunidade o melhor modelo de cidades equilibradas e prósperas.