Após quase duas décadas de discussões, as negociações sobre o Tratado do Alto-Mar envolveram mais de 100 países (Alexsander Ferraz/ AT) A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou nessa semana estudo que mostra o devido tamanho do perigo da subida dos níveis dos mares, afetando várias cidades no mundo. No caso do Brasil, a ONU destacou o Distrito de Atafona, em São João da Barra, no litoral norte fluminense, e o próprio Rio de Janeiro. O levantamento não cita Santos, que já foi incluída em outros levantamentos do tipo, mas de qualquer forma esse trabalho merece total atenção da Baixada Santista. Se nada for feito em termos globais, o impacto regional poderá ser devastador. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A ONU se baseou apenas em cidades do G20, o grupo que reúne as economias mais industrializadas e emergentes. O que impressiona é que esse balanço inclui metrópoles gigantescas, como Tóquio, Los Angeles, Xangai, Lagos e Mumbai. Nova Orleans, nos Estados Unidos, poderá sofrer elevação do nível do mar de quase meio metro até 2050. Como há centenas de milhões de habitantes concentrados nas regiões costeiras, haveria um gigantesco impacto econômico e social. Por exemplo, com abandono de regiões hoje valorizadas e de centros de decisão política e empresariais, e migração forçada para outros países, pois nem todas as nações terão terras disponíveis. Isso poderá gerar conflitos de grandes proporções. Basta observar hoje a onda migratória para os EUA e Europa e o impacto que isso tem causado nas políticas internas. O estudo da ONU aponta que o nível médio global do mar já subiu mais de 10 cm desde 1993. A velocidade da subida das águas dos oceanos dobrou desde a década de 1990, indicando que esse fenômeno está se “acelerando de forma incomum e descontrolada”, como diz a ONU. O avanço de se deu de 2,1 milímetros por ano entre 1993 e 2002 para 4,8 mm entre 2014 e 2023. No Pacífico, países insulares podem desaparecer totalmente, como Vanuatu, Tonga, Kiribati, e Maldivas. Nas regiões desse oceano, 90% dos habitantes vivem a menos de 5 km da costa e metade da infraestrutura está a menos de 500 metros do mar. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que os oceanos estão transbordando e que os gases do efeito estufa gerados pela queima de combustíveis fósseis “estão cozinhando nosso planeta”. O aquecimento global vai acelerar o derretimento das geleiras e das camadas de gelo principalmente na Antártida e na Groenlândia, resultando na subida dos mares. O estudo da ONU aparentemente foi direcionado aos países do G20 como forma de pressão sobre os seus dirigentes, pois em novembro será realizada a Conferência sobre Mudanças Climáticas, a COP29, no Azerbaijão. Será uma oportunidade para tomar medidas mais incisivas, pois nos encontros anteriores os interesses econômicos adiaram iniciativas mais contundentes para reverter o clima. A solução mais prática é reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis e modificar costumes de consumo, o que não será nada fácil.