[[legacy_image_271195]] A inteligência artificial reforçou os debates sobre o impacto da tecnologia desde já na sociedade, nas empresas e nos governos, com efeitos transformadores no mercado de trabalho. Um dos palestrantes da quarta edição do projeto do Grupo Tribuna realizada na última segunda-feira, A Região em Pauta, com o tema O Futuro do Emprego na Região, o professor da Fundação Dom Cabral, Carlos Alberto Arruda de Oliveira, apontou dados de um estudo desenvolvido por ele para o Fórum Econômico Mundial. Oliveira alertou que até 2027 serão criados 69 milhões de empregos no mundo, sendo que 83 milhões deixarão de existir. O déficit será de 14 milhões, mas o problema será mais amplo, pois a geração de vagas estará voltada à tecnologia e ao meio ambiente, deixando poucas opções para quem não for capacitações para essas duas áreas. Portanto, os governos e as instituições de ensino precisam redobrar a atenção ao novo contexto do mercado de trabalho, cuja transformação acontece em ritmo acelerado. Em um exemplo bem simples, há poucos anos o segmento de call center gerou milhares de vagas no País, inclusive em Santos, e foi amplamente modificado pelo trabalho remoto e o atendimento robotizado. Como não é de hoje a deficiência da formação educacional no País, o desafio é duplo e a necessidade de investimentos se torna maior ainda. Discute-se a importância de se rever o formato do ensino, que o diretor-executivo da Associação Comercial de Santos, Adalberto Corrêa, diz ainda ser focado no passado, em um modelo “conteudista”. O professor também precisa ser qualificado conforme os novos tempos, segundo Corrêa. Com o ensino remoto durante o auge da pandemia, imaginou-se que por necessidade haveria um salto tecnológico nas escolas, mas o que se viu foi um despreparo muito acentuado. Tanto na infraestrutura, com crianças sem aula porque não tinham internet nem computador, como nas escolas, com a falta de verbas de sempre e, o que é essencial agora, sem devido acesso à inovação tecnológica. Nos últimos meses, a fascinante ascensão da inteligência artificial escancarou a necessidade de se debater a automação do trabalho, que não se trata apenas de substituir o homem por máquinas e eliminar vagas, mas também de tornar obsoletas muitas profissões. Assim, a capacitação terá que ser levada a um número muitíssimo maior de trabalhadores para reaprendizado em níveis profundos. A conclusão que se tem é de que os investimentos terão que ser maiores e disseminados pelo País. Porém, não se pode planejar essa mudança para daqui alguns anos. Os jovens que estão perto de ingressar no mercado já buscam ocupações tecnológicas, sendo que muitos não conseguirão ter acesso a esse tipo de ensino. Mas o desafio fica maior ainda se for observado que os trabalhadores maduros também serão impactados e terão que ser requalificados no curto e médio prazos.