(Vanessa Rodrigues/Arquivo/AT) A pesquisa Expedição Tietê, desenvolvida pela ONG SOS Mata Atlântica, mostra que o principal rio paulista não somente continua poluído, como há diversidade de materiais que se espalham em todo o seu curso. Segundo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, são microplásticos, medicamentos, cocaína, agrotóxicos, poluentes “invisíveis” (por não serem monitorados regularmente) e lixo descartado incorretamente. Apesar da legislação ambiental aplicada ao longo dos anos (mas afrouxada recentemente) e do esforço de conscientização, o Tietê sintetiza o grave conflito dos hábitos de consumo em massa e dos métodos modernos de produção com o meio ambiente. Porém, é preciso buscar o equilíbrio, condição essencial para reduzir a emissão de gases que levam ao aquecimento global e aos extremos climáticos, com seca e chuvas intensas, a depender da região do País. Conforme o levantamento, feito em parceria com várias universidades, incluindo o campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as substâncias identificadas revelam uma forte penetração de esgoto não tratado. Esse componente, somado ao descarte de lixo e à presença do insumos agrícolas, indica que meios já conhecidos para proteger mananciais e as matas não são empregados adequadamente, sendo até menosprezados. Se o Tietê, principal curso d’água do Estado e que abastece a Capital e as maiores cidades interioranas, está nesta situação, imagina-se a realidade dos outros rios de menor porte e menos fiscalizados. O caso dos agrotóxicos impressiona, pois o setor rural paulista é dos mais desenvolvidos do País, com acesso a instituições de ensino envolvidas com ampla pesquisa científica. Conforme o estudo, fungicidas, inseticidas e herbicidas foram achados ao longo do Tietê, entre Pirapora do Bom Jesus (Grande São Paulo) e Barra Bonita (no centro do Estado, a 288 km da Capital). Os agrotóxicos foram identificados até na nascente, em Salesópolis, na Serra do Mar, onde se imaginava que a contaminação seria quase nula. Já os microplásticos foram encontrados em todos os pontos de análise do Tietê, em nível acima dos rios asiáticos, mas abaixo dos europeus. Eles derivam de várias atividades, como lavagem de roupas sintéticas, contaminando a cadeia alimentar e ameaçando o meio ambiente, na prática, penalizando o ser humano. Além dos hábitos e meios de produção permanecerem altamente poluidores, preocupa o recente afrouxamento da legislação ambiental. Entre as mudanças estão a dispensa de estudos prévios para atividades médias e pequenos negócios e a decisão da supressão da Mata Atlântica transferida a prefeituras e governos estaduais. O convívio com o meio ambiente continua frágil e ainda não se vê sinal de mudanças profundas, apesar de haver conhecimento suficiente de que tamanha destruição já causa inúmeros riscos à sobrevivência das próximas gerações no planeta.