(Reprodução/X) A tragédia da Venezuela assusta pela proximidade do país em relação ao Brasil. Porém, a grande lição que traz para os brasileiros é a importância da prevenção a qualquer tipo de desastre natural. Apesar de se saber que a Venezuela é suscetível a tremores violentos, o país não estava preparado, desde a reação do governo até a capacidade dos edifícios de resistirem a sismos. Pelo menos 200 prédios desabaram e basta fazer uma estimativa do número de moradores por andares, multiplicando por dez, que é a altura que se nota nas imagens de La Guaira, a região mais atingida, para compreender que há milhares de mortos. O país enfrenta imensas dificuldades para o momento imediatamente posterior a um terremoto, que exige muita agilidade para encontrar soterrados. A crise histórica que a Venezuela passa com a derrocada do chavismo piorou a dimensão da tragédia, mas em geral esses fenômenos surpreendem governos e populações inteiras, piorando a situação onde há displicência, como na Turquia. O avanço da tecnologia e da disseminação da informação parecem ter atenuado efeitos de catástrofes naturais nos países mais cuidadosos, como o México, em 2017. No Brasil, tudo indica que as defesas civis receberam investimentos e houve uma maior conscientização após chuvas intensas no Rio Grande do Sul e nas encostas das grandes cidades, algo que será confirmado somente com novos temporais. De qualquer forma, como o Brasil não tem terremotos e furacões, historicamente há um descuido com medidas preventivas, que exigem planejamento e investimentos. No Japão, país mais sujeito a tremores no mundo, há muito treinamento, infraestrutura de segurança, sistemas de alerta e ampla tecnologia para proteger os edifícios. Na Venezuela, as imagens são do mais completo caos. O site voluntário Desaparecidos Terremoto Venezuela aponta 46,4 mil vítimas nessa situação. A contagem oficial está muito atrás, em 1,7 mil até domingo, não se sabe por ineficiência do governo, prioridade do setor público para atender as vítimas ou hipocrisia política para encobrir a incompetência governamental. Reportagem do jornal O Globo menciona corpos nas calçadas à espera de coleta e pelo menos 200 no estacionamento do necrotério de La Guaira. A certeza é de que ainda há muita gente prensada entre as lajes de prédios de até 15 andares na cidade, a 26 km de Caracas. No domingo, foram anunciados 33 resgates com sucesso. Técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do Brasil, levaram antenas para tentar localizar celulares sob os escombros para achar sobreviventes. Aos poucos são reveladas histórias como a de pais que saíram de casa por algum motivo e que escaparam da morte, mas que agora buscam os filhos que não sobreviveram. Essa é a tragédia das grandes catástrofes e a prevenção é a única forma de reduzir tantas perdas futuras, a depender da força da natureza.