[[legacy_image_177371]] A escolha dos presidentes do PSDB, MDB e Cidadania pela senadora Simone Tebet (MDB-MS) para a candidatura única da terceira via é um duro baque sobre o ex-governador João Dória e também confirma o grau de polarização das eleições. Dificilmente haverá algum nome competitivo frente ao ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), o que limita o debate sobre o que poderá ser feito pelo País nos próximos anos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A opção do comando tucano por Tebet também reflete a fratura interna do PSDB e a redução do seu eleitorado no País, a ponto de seus caciques preferirem garantir seu reduto mais nobre, São Paulo, ao invés de ter um voo solo na disputa pelo Planalto. Mas no fim das contas, com as pesquisas consolidando as intenções de voto em Lula e Bolsonaro, nem mesmo Tebet está garantida na disputa. O nome dela será levado para a decisão final das Executivas nacionais dos partidos na próxima terça-feira. No âmbito do MDB, a grande dificuldade da senadora é no Nordeste, onde o petista chega a estar muito à frente Bolsonaro, por exemplo, por uma diferença de mais de 40 pontos na Bahia. Com um placar desse, os caciques emedebistas da região querem embarcar de vez na campanha lulista. O senador Renan Calheiros disse claramente que não quer Tebet e fez declarações públicas de compromisso com Lula. Não se trata de uma questão ideológica e sim de disputa pelo poder de Alagoas com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas) e para eleger Renan Filho senador. No caso de Doria, ele enfrenta um turbilhão de problemas que embala sua pré-candidatura. Um dos principais é a volta do deputado Aécio Neves (MG) ao jogo político, que busca ampliar sua força no partido. Desde a campanha das prévias, o mineiro já atuava por outros nomes que não o de Dória, como o ex-governador gaúcho Eduardo Leite. Internamente, há tucanos querendo embarcar na polarização – alguns são aliados do bolsonarismo no Congresso e outros conversam com o lulismo (o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira declarou que vai pedir votos para Lula e disse aprovar a aliança de Geraldo Alckmin com o petista). Conhecido por sua determinação, Doria afirmou que pretende ir à Justiça pelo direito de ser candidato por ter vencido as prévias, mas correria o risco de ter pouca verba do fundo eleitoral, controlado pelo comando do partido, que precisa abastecer candidaturas em todo o País. Doria fez um governo de resultados, com investimentos no metrô, VLT e na despoluição do Rio Pinheiros, uma promessa de muitas décadas. Mas sua grande realização foi ter enfrentado a covid-19 e investido na vacina. Entretanto, a política é cheia de surpresas e meandros e ele tenta superar os confrontos internos com os líderes do partido, os reflexos da disputa com Alckmin e a briga com o bolsonarismo, com rejeição nas pesquisas e um cenário dificílimo de campanha polarizada.