[[legacy_image_236826]] Após a recusa de dois executivos (Josué Gomes, da Fiesp, e Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra), a escolha de Lula por Geraldo Alckmin para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio até o momento se mostra positiva. Com a experiência de Alckmin como governador do estado mais industrializado do País, portanto, conhecendo os problemas do setor, a gestão dele tem chances de atingir bons resultados. Entretanto, a tarefa de “reindustrializar” o Brasil é ingrata, pois depende de outras pastas e do crescimento brasileiro mais vigoroso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Antes, o Governo Lula precisa explicar melhor o que entende por “reindustrializar” o País. Se for reabrir fábricas fechadas ou renovar centros fabris decadentes, não tem o mínimo sentido. A redução de participação da indústria nas economias, com a exceção da China, é um fenômeno mundial, com o setor de serviços se tornando dominante e a tecnologia enxugando processos, o que diminuiu a demanda por mão de obra e espaços para produzir bens. No Brasil, a desindustrialização mistura esse processo mundial com fragilidades locais. A tributação é muito elevada, a burocracia também, a mão de obra tem má formação desde o ensino básico e o crédito é pouco acessível e caro. Há ainda a logística, que pesa no preço final devido à falta de investimento em infraestrutura e com o transporte dependente do modal rodoviário, sujeito à volatilidade do petróleo, e com pouca participação do ferroviário, mais barato. Tudo isso compõe o custo Brasil, que reduz a competitividade do produto nacional frente o estrangeiro. Para resolver esse problema, Alckmin teria que costurar uma política nacional com uma porção dos 37 ministros do Governo Lula. Na posse como ministro, Alckmin disse pretende alinhar a tal reindustrialização à economia verde, o que envolve descarbonizar (trocar combustíveis fósseis por renováveis) a atual produção, expandir processos novos com insumos extraídos de forma sustentável e estimular a pesquisa científica para transformar inovações em faturamento para as empresas. Tudo isso exige muito dinheiro, gente capacitada, programas de longa maturação e um sistema de incentivos com financiamento e redução de impostos para baratear novos produtos, que geralmente são mais caros até ganharem escala. Como exemplo, essa revolução verde pode ser aproveitada na indústria automotiva, que migrou do ABC paulista para o Interior e outros estados, mas que encolhe nacionalmente – não só pelas debilidades do Brasil, mas também pelas dificuldades frente à eletrificação. Se essa mudança já tem ritmo acelerado na Alemanha, China e nos EUA, no Brasil ainda é uma curiosidade, com preços caros para os brasileiros pagarem. Este é um segmento que Alckmin poderia dar prioridade, principalmente pela sequência de formação de mão de obra e desenvolvimento de processos que o Brasil ainda não domina.