(Freepik) A saúde mental de crianças e adolescentes está no centro de um alerta urgente. Dados levantados pela Secretaria Estadual da Saúde revelam um aumento preocupante no número de procedimentos clínicos e internações relacionadas a casos de ansiedade entre 2015 e 2023. O número de registros passou de 2.607 em 2015 para 14.748 em 2023, alta de 465%. Até setembro deste ano, já haviam sido registrados 13.927 casos. Já em relação a casos de depressão, o total foi de 1.951 para 4.903 no mesmo período. Especialistas e pesquisadores nessa área atribuem o aumento a diversos fatores, como o fato de pais e familiares que convivem com as crianças também estarem depressivos ou ansiosos e criarem um ambiente adoecido, que interfere na saúde mental dos filhos. Além disso, a exposição demasiada e cada vez mais precoce às telas e às redes sociais, que contaminam a percepção de mundo de mentes ainda em formação e ajudam a elevar a ansiedade. Há relatos preocupantes de adolescentes que têm dificuldade para dormir e se concentrar, o que torna o contexto ainda mais desafiador. A escola, muitas vezes o primeiro ambiente social fora do âmbito familiar, tem papel crucial na identificação precoce de sinais de sofrimento mental. É neste espaço que crianças e adolescentes passam grande parte de seu tempo, e onde comportamentos como isolamento, quedas bruscas de desempenho, agressividade ou apatia podem surgir como sinais de alerta. No entanto, a maioria das instituições de ensino não conta com profissionais capacitados para reconhecer essas manifestações e agir de forma eficaz. A presença de um psicólogo escolar não é um luxo, mas uma necessidade. Esse profissional é capaz de atuar como elo vital entre escola, família e serviços especializados de saúde. Ele pode identificar casos de ansiedade e depressão, orientar professores sobre como lidar com situações sensíveis e encaminhar os alunos para o suporte adequado. Sem essa intervenção, muitos casos passam despercebidos, agravando-se ao longo do tempo. Especialmente após a pandemia, não há mais dúvidas sobre a necessidade de cuidados extras e permanentes com a saúde mental, parte da saúde integrativa e responsável pelo bem estar geral do indivíduo. Essa atenção deve ser ainda maior em se tratando de crianças e jovens. Transtornos mentais não tratados na infância e adolescência aumentam significativamente o risco de problemas na vida adulta, como dificuldade em manter relações interpessoais, baixa produtividade no trabalho e maior propensão ao uso de substâncias. Ainda que o tema tenha ganhado mais visibilidade, as políticas públicas precisam acompanhar essa emergência. É fundamental ampliar a rede de atendimento em saúde mental e garantir que escolas contem com profissionais especializados. Programas de formação para professores também são essenciais, ajudando-os a identificar sinais de sofrimento e lidar com situações de forma empática e construtiva.