[[legacy_image_308624]] O mercado de trabalho não está nos holofotes como a desistência do presidente Lula em relação ao déficit zero no próximo ano, mas o emprego é o que interessa ao difícil mundo real do brasileiro. O mais animador é que a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do terceiro trimestre, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra avanços sob os vários aspectos estudados. O desemprego caiu para 7,7%, frente aos 8% do período de abril a junho, chegando-se ao menor nível da pesquisa desde os 6,9% em 2014. A Pnad também mostrou aumento do total de trabalhadores ocupados, de 0,9%, com 99,8 milhões, enquanto o número absoluto de desempregados recuou 3,8%, para 8,316 milhões, atrás apenas do dado de maio de 2015. Já a renda média subiu 1,7%, enquanto 67,8% dos empregos gerados são com carteira assinada, o que significa uma contratação em vagas com melhores salários e estáveis. Portanto, a situação atual está bem diferente do avanço anterior do mercado de trabalho, que era centrado na informalidade ou na conta própria por necessidade (torna-se empreendedor para ter alguma renda após demissão). Na região, a recuperação do mercado também está em alta. Conforme o balanço feito por A Tribuna com base no registro em carteira, foram criados 1,3 mil postos (admissões menos demissões) na Baixada Santista em setembro (o emprego informal não é considerado). Dos nove municípios, apenas Mongaguá fechou vagas (mais demissões que admissões). As justificativas para os resultados da Pnad nacional ou do emprego na região são parecidas – o setor de serviços, o mais atingido pela pandemia e que mais demorou para reagir, mantém uma tendência robusta de recuperação. São segmentos relacionados à melhora do consumo proporcionada pela queda do desemprego, que está associada ao governo – a transferência de recursos públicos por meio dos programas sociais, como o Bolsa Família, a expansão do Minha Casa, Minha Vida e a correção do salário mínimo acima da inflação. Além disso, a deflação melhorou o poder aquisitivo da população. Por outro lado, as exportações injetam bilhões de dólares nas regiões do agronegócio, mineração e petróleo, aquecendo o comércio e a prestação de serviços nesses locais produtores, com estímulos paralelos, como indústrias e empresas de tecnologia que produzem equipamentos e sistemas para a agropecuária e o extrativismo. Entretanto, fica a dúvida se essa retomada do trabalho é sustentável. Sabe-se que ela terá um limite de recuperação, provavelmente quando a desocupação chegar aos 6%, e a partir daí a economia terá que ser movida por outros fatores, como investimento na produção e oferta de crédito. Falta ainda levar essa melhora com maior força às metrópoles, longe do agronegócio, beneficiando a população que pouco usufrui dessa recuperação.