(Paulo Lacerda/CNI) O crescimento da geração de emprego pela indústria, de 75% no acumulado do ano até setembro, sobre igual período de 2023, tem relação com o avanço acima do previsto do Produto Interno Bruto (PIB). Os economistas afirmam que o PIB aumentará 3% em 2024, desacelerando para 1% ou 2% em 2025 devido à taxa Selic, que pode rondar os 12% em janeiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O vigor, que estava concentrado no agronegócio há um ano, agora se disseminou para os serviços e consumo das famílias, o que obviamente ampliou as vendas do setor industrial. Para retomar a produção, as fábricas voltaram às contratações, com 405 mil empregos com carteira criados (admissões menos demissões) neste ano, frente aos 230,9 mil em igual intervalo de 2023, conforme A Tribuna publicou ontem. Além disso, 57% dos postos de trabalho foram ocupados pela faixa dos 18 aos 24 anos. O governo cita como motivo seus programas de estímulo ao setor automobilístico e químico e da depreciação acelerada, uma reivindicação da indústria que reduz o impacto dos tributos nos primeiros anos de aquisição de máquinas e equipamentos (o que na prática diminui o custo de modernização das fábricas). Porém, a queda dos juros em 3,25 pontos percentuais entre junho do ano passado e maio último barateando o crédito, assim como a geração de quase 2 milhões de empregos formais desde janeiro e 1,6 milhão em 2023, o que resultou em mais renda, é que deram impulso definitivo à indústria. São resultados extraordinários, que podem não continuar a partir de agora, mas por enquanto não se fala em recessão. Entretanto, esse desempenho já obtido não pode mascarar a incrível desvantagem que a indústria brasileira tem em relação aos concorrentes externos. Aliás, muito pouco foi feito para mudar essa situação. Parte da mão de obra ainda tem educação básica precária e não é qualificada, o crédito continua caro, a infraestrutura permanece sem investimentos adequados e a carga tributária é muito elevada, algo que permanecerá mesmo com a reforma. A subida do câmbio, por deixar as importações mais caras, funciona como barreira à entrada de produtos estrangeiros, mas isso tem alcance limitado. A China tem excedente de aço e carros elétricos, o que deve piorar com as restrições que seus produtos têm enfrentado nos EUA e Europa. O resultado esperado é que os importados chineses chegarão ao País ainda mais baratos. Por outro lado, a indústria brasileira precisa conseguir competir no exterior, exportando mais, como fazem empresas de ponta como Embraer e Weg, entre outras. O governo tem afirmado modernizar o setor com a inserção da sustentabilidade e de novas energias, com a revolução verde. Mas já há todo um parque industrial operando com mão de obra treinada que precisa de uma série de melhorias focadas na retomada de sua competitividade, com medidas já conhecidas e há tempos dominadas por outros países.