(Reprodução/Instagram) O presidente argentino Javier Milei conquistou resultados impressionantes com sua política de ajustes, com queda da inflação, recuperação das reservas internacionais, crescimento da economia e dois anos seguidos de superávit fiscal. Entretanto, os problemas foram reduzidos, mas não solucionados. Por exemplo, o aumento anual dos preços despencou de 117,8% em 2024 para 32% em 2025, mesmo assim ainda muito elevado. Contudo, isso já foi suficiente para reduzir o nível de pobreza, que costuma ser mencionado pela esquerda brasileira para questionar Milei. O empobrecimento, de fato, é muito alto, porém, ele recuou de 45,6% no terceiro trimestre de 2024 para 36,3% em igual período do ano passado. As reservas internacionais também melhoraram, mas ainda são insuficientes para dar conta dos compromissos internacionais, como importações e juros externos. Essa poupança em dólar é de US\$ 32 bilhões, menos de um décimo do que o Brasil dispõe (US\$ 364 bilhões). Isso é um problema porque a Argentina continua com saldo negativo em conta corrente de US\$ 20 bilhões, que considera comércio exterior, viagens, remessa de multinacionais e dívida externa. Mesmo que a política de ajuste de Milei não seja perfeita, ela sinaliza a importância dos governos realizarem arrumações, inclusive duras. Isso também serve de lição para o Brasil, que não tem problema tão acentuado na inflação e totalmente inexistente nas reservas internacionais e dívida externa. Porém, por aqui, a preocupação está no rombo das contas públicas, sustentada por um endividamento corrigido por juros altíssimos. Não se está à beira do precipício, mas o alerta se impõe pelo ritmo de gastos públicos no Brasil. Os apoiadores de Milei, no Brasil, estão eufóricos com os resultados da Argentina. Porém, há grandes riscos de revés no front. O câmbio prova que a população e as empresas não confiam no peso, o que amplia a necessidade de mais dólares. Além disso, como houve um afrouxamento na contenção da divisa americana, os argentinos aumentaram as importações, causando uma piora impressionante da produção industrial. Os setores, como têxteis, sapatos, plásticos, máquinas e pneus, num total de 40, encolheram até 30%, entre 2023 e o ano passado, o que poderá impulsionar o desemprego. Aliás, o país fechou acordo comercial com os Estados Unidos, muito favorável aos americanos, com tarifas irrisórias, outro convite para comprar mais do exterior. Em sua política libertária, Milei busca abrir a economia para torná-la competitiva, mas ainda não se sabe se isso matará a produção local ou quanto tempo ela levará para se tornar inovadora e moderna, com resultados concretos. Não se trata de importar o modelo argentino de tentar migrar para um Estado quase zero, mas se pode observá-lo como em um laboratório. Assim como se deve estudar os exemplos de outros países em recuperação ou já em pleno progresso, como Coreia do Sul e China.