[[legacy_image_303846]] Dados do Banco Central indicam que a consolidação do crescimento do País, acima das projeções, está centrado na renda, que tem avançado 7% em termos reais (descontada a inflação) sobre vários bases de comparação – neste ano em relação a 2022 (7%), no trimestre de junho a agosto (7,7%), no acumulado do ano (7,9%) e nos últimos 12 meses (mais ainda, 9,1%). Esses dados, citados pelo jornal Valor, se referem à renda obtida com salários, benefícios previdenciários, programas sociais e até aluguéis e retorno de aplicações financeiras. Desde o primeiro trimestre, as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estão sendo superadas. Do começo do ano, a colaboração veio do agronegócio. Em consequência, passaram a ser veiculadas reportagens sobre a pujança das cidades ainda jovens das fronteiras agrícolas do Centro-Oeste (um desenvolvimento que também ocorre no sul do Piauí, oeste da Bahia, cerrado de Minas Gerais, Rondônia e até em rincões de Roraima). Startups que atuam nesse segmento ganharam visibilidade, assim como as profissões do campo. Por fim, a exposição positiva teve o desfecho na divulgação do censo, que mostrou a estagnação populacional de metrópoles do Sul, Sudeste e Nordeste e o crescimento das cidades do agronegócio. Entretanto, a partir do segundo trimestre, quando o peso do agronegócio perde espaço na conta do PIB por questões de épocas de colheita, as previsões passaram a ser superadas. Da aposta anunciada no começo do ano para um crescimento do PIB de 2023 entre 0,5% e 1%, agora já se sabe que o avanço anual está praticamente acima de 3%. Esse fator surpresa, dizem economistas, se dá em boa parte devido à alta da renda, com os serviços seguindo esse ritmo, mas um pouco atrás, e a indústria tentando crescer sobre seus fundamentos de baixa competitividade, problema que até agora não se vê que será corrigidos, a não ser pela reforma tributária, de altas chances de sair do papel. No crescimento de 7% da renda, os mais favorecidos são os que ganham menos, com a classe média sentindo pouco impacto, porque gasta uma parte menor de seus salários com comida do que os mais pobres (que ainda têm a seu favor a queda da inflação). Segundo o economista-chefe da Tullett Prebon, Fernando Montero, a baixa renda se alimenta com o dinheiro dos empregos gerados pelos serviços, que agora abrem mais vagas. Por isso, há a ideia de que o crescimento do PIB está bem sólido. Mas há uma problema. Subidas fortes de consumo pressionam os preços, trazendo inflação. Por enquanto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 5,19% ao ano, mas de forma estável em quase todos os segmentos. São excelentes notícias, torcendo para que o governo não se meta em aventuras que façam explodir mais os gastos públicos e que uma recessão mundial seja a mais branda possível.