[[legacy_image_343139]] Não se deve ficar impressionado com os 87% dos votos na reeleição do presidente Vladimir Putin. Com os principais opositores mortos, um deles Alexei Navalny, na prisão, sem adversários efetivos com liberdade política dentro do país, a vitória era previsível. No pleito, o líder teve três desafiantes, sendo que dois de alguma forma ou de outra apoiam a invasão da Ucrânia, e o terceiro não vê motivos para criticar Putin, segundo o articulista Lourival Sant'Anna, do Estadão. Entretanto, para o mundo, há o suspense do que ele pretende fazer após seu poder consolidado. Tempo não será o problema: o presidente assumirá o seu quinto mandato e poderá se reeleger até 2036. Internamente, os russos temem, principalmente aqueles em idade de serem convocados, uma nova frente de soldados para lutar na Ucrânia, que tem a desvantagem de dispor de poucos soldados para recompor seu contingente. Uma das possibilidades é que a Rússia busque avançar uma linha de 100 quilômetros dentro da Ucrânia, impedindo a instalação de armamentos que possam atacá-la, e daí poderá agir conforme as capacidades ucranianas. Ou forçar um acordo de paz, que para Moscou seria uma rendição de Kiev. A guerra da Ucrânia confirmou a tão falada nova ordem mundial, com o risco de uma escalada nuclear se o Ocidente extrapolar um certo limite do apoio militar à Ucrânia. E mesmo assim o Ocidente não tem conseguido fazer grandes avanços nessa ajuda. Os líderes europeus prometem a Kiev munição e armas modernas, mas industrialmente não conseguem entregá-las, enquanto nos EUA a oposição republicana trava a liberação de dezenas de bilhões de dólares em socorro bélico. Para Putin, o melhor dos cenários seria a vitória de Donald Trump nas eleições de novembro. O ex-presidente critica esses gastos e ameaça a coesão da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mas Putin ainda tem problemas internos. Suas forças tiveram baixas em dezenas de milhares na Ucrânia, e será preciso ter um plano para evitar a fuga de potenciais convocados para países fronteiriços. Apesar da economia ter crescido mesmo com as sanções, os negócios se concentraram no petróleo e com poucos parceiros importantes, como China, Índia e Brasil. A moeda local, o rublo, conta com o esforço do governo para não desvalorizar, e não se sabe como anda a economia dos pequenos negócios. Analistas afirmam que os americanos torciam por uma guerra prolongada para exaurir a Rússia. Essa ideia, que deu certo contra a União Soviética, por enquanto, não tem funcionado. O Governo Biden se dedica mais a cercar o avanço tecnológico da China e a evitar mais mortes de palestinos civis pelo israelense Benjamin Netanyahu, uma tragédia que pode custar votos aos democratas. Cedo ou tarde, o Ocidente terá que dar um rumo para a guerra interminável da Ucrânia, mostrando qual estratégia usará contra Putin.