[[legacy_image_225748]] Da forma como as gigantes americanas da tecnologia mudaram a vida de quase todo o mundo, desde as redes sociais e o consumo on-line aos aplicativos de transporte e de viagens, esperava-se que essas empresas levariam muito tempo para passarem por apertos. Aliás, não são só as grandes que enfrentam sua primeira crise, mas também uma ampla gama de startups, ainda em fase inicial e que inspiraram jovens a ir atrás de uma rápida e bem remunerada ascensão profissional. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ainda que as grandes mereçam ser criticadas pela disposição ao monopólio, frieza dos algoritmos e temores da supremacia da inteligência artificial, elas propiciaram muitas conquistas de qualidade de vida, redução de custos e um melhor uso do tempo de cada um. O auge delas foi a pandemia, na qual o convívio social se tornou uma ameaça e as atividades remotas cumpriram um importante papel. Felizmente, essa fase de isolamento passou e parte da vida on-line perdeu seu apelo. Muitos permanecem em home office ou continuam com os apps para fazer compras ou pedir refeição. Mas o mundo físico, com shoppings, escritórios e lojas físicas, está de volta. Porém, é o custo do dinheiro, que atropelou o setor de tecnologia. Com a subida dos juros no mundo todo, essas companhias, que precisam de muito capital para crescer rapidamente e, por isso, demoram a gerar lucro, ficaram bem caras para serem financiadas. Os aportes começaram a desandar e a cobrança por resultados aumentou. Os abusos ou análises superestimadas dos tempos de fartura vieram à tona e muitos negócios hoje demitem aos milhares. Grandes financiadoras, as bolsas agora punem esses negócios. O caso mais evidente é o da Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, que em um ano se desvalorizou 67%, também com a concorrência do TikTok e o erro estratégico do metaverso. A queda está disseminada – enquanto a Alphabet (Google) perde 32%, a Amazon recua 46%. A fila segue com Uber (-31%), Airbnb (-45%) e Microsoft (-27%). Das gigantes, a Apple é a que sofre menos, com -8% em um ano. Essa crise setorial é muito ruim, pois retira capitais da economia, ceifa empregos e adia mais conforto ao ser humano, apesar de terem ficado longe de acabar com a miséria, a exploração de seres humanos ou o perigo das mudanças climáticas. É esperado que haja grande correção, sobrevivendo as mais capacitadas e ágeis, enquanto outras serão engolidas ou sumirão. As dificuldades desse setor estão conectadas aos reflexos da própria pandemia que o beneficiou. Os juros não vão cair enquanto a inflação persistir e a política de covid zero da China e a guerra da Ucrânia encarecerem as cadeias de produção. Trata-se de um ciclo com desfecho difícil de prever, pois tem conexões com uma geopolítica em mudança. Mas os avanços tecnológicos não vão parar, ainda que a um ritmo menor por falta de financiamento como antes.