(Pedro de Paula/Fotoarena/Estadão Conteúdo) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou que nem seus ministros sabem quais são as realizações de sua gestão e decidiu fazer uma arrumação na divulgação dos feitos de seu governo. E foi exatamente o que se conferiu na noite da última segunda-feira, em pronunciamento via rádio e televisão. No lugar do tradicional tom solene de fala oficial à nação, Lula adotou a conversa informal para divulgar dois de seus programas, que passaram por mudanças pontuais – que até já eram conhecidas. Um deles, o Pé-de-Meia, iniciou os pagamentos ontem. Trata-se de uma transferência de renda para estudantes do Ensino Médio não deixarem a escola. A evasão nessa fase é um dos grandes gargalos do País, interrompendo nas periferias uma importante etapa para a formação profissional dos jovens. O petista também falou do Farmácia Popular, de grande relevância social, do qual já se sabia que 41 remédios seriam fornecidos gratuitamente. Também na segunda-feira, o governo decidiu liberar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quem já foi demitido e não sacou os recursos por ter optado pelo saque-aniversário. Essa modalidade permite uma retirada anual parcial, mas pelas regras anteriores, criadas no Governo Bolsonaro, em caso de rescisão, prevê apenas o pagamento da multa (sem retirar os depósitos). Porém, a mudança preocupa, por ser mais uma iniciativa sobre o fundo, que precisa ser bem administrado para dar conta dos resgates em caso de onda de demissões no País. Mas seu papel é muito maior para a economia, pois tais recursos sustentam as linhas mais populares da habitação, toda a cadeia do setor imobiliário e centenas de milhares de trabalhadores desse ramo. Na segunda, a notícia de que Lula faria pronunciamento trouxe inquietação ao mercado financeiro, segundo analistas, piorando a queda da Bolsa, que até então estava moderada, e dando um empurrão no dólar. A expectativa, logo após a safra de pesquisas que revelou perda de popularidade do petista, era de que ele seria tentado a tomar mais medidas populistas, pressionando as contas públicas. Por enquanto, o que se viu foi uma embalagem mais caprichada conduzida pelo secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira. O uso da publicidade e programas vistosos são ferramentas antigas que os políticos usam. No mínimo precisam ter fundamentos, principalmente recursos suficientes para atender as necessidades da população e melhorar a qualidade de vida dos mais necessitados. Com as últimas medidas e a divulgação adotada, o que se percebe é que Lula quer estancar a perda de votos junto a seu tradicional público, de até dois salários mínimos. Entretanto, a disputa eleitoral tão antecipada não pode comprometer o andamento de iniciativas de outras áreas, como saúde e segurança pública, ou para outras faixas da sociedade. Mesmo nas que o presidente não tem a mesma aceitação, pois uma vez eleito o presidente governa para todo o País.