[[legacy_image_76459]] A semana começa com temperatura alta em Brasília e, desta vez, não é ainda decorrente de novos depoimentos na CPI da Covid. Gravações divulgadas ontem apontam o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro em esquema ilegal de partilha de salário dos assessores, na época em que exerceu consecutivos mandatos como deputado federal (entre 1991 e 2018). A prática é conhecida como ‘rachadinha’ e já havia maculado a imagem da família Bolsonaro no ano passado, quando o primogênito, Flávio, foi implicado na mesma conduta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Desta vez, é a ex-cunhada do presidente, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, que acusa o presidente de mandar demitir seu irmão, André Siqueira Valle, porque ele se recusou a entregar a maior parte de seu salário a Bolsonaro, que na época era deputado federal. Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe do filho mais novo do presidente, Renan. Os áudios vazados ontem foram o assunto do dia e certamente vão pautar as próximas semanas, tendo em vista que a denúncia é ‘prato cheio’ para a oposição. Alessandro Vieira (Cidadania) fala em pedir a abertura da CPI da Rachadinha, e Renan Calheiros (MDB) levanta a hipótese de convocar a ex-cunhada do presidente para depor na CPI que relata - embora não haja qualquer relação entre as denúncias-objeto da comissão e esta nova suspeita contra Bolsonaro. As novas denúncias se somam ao arsenal que a oposição vem colecionando contra o presidente e seu governo, e é preciso concordar que a notoriedade da CPI da Covid vem mantendo em baixa a popularidade do chefe do Executivo. Na gaveta do presidente Arthur Lira (PP), repousam mais de 126 pedidos de impeachment, incluindo o superpedido encaminhado na quarta-feira da semana passada, por conta da suspeita de prevaricação do presidente no caso da compra da vacina Covaxin. Diante desse cenário, tudo indica que o segundo semestre não será manso para o presidente. Pedidos de impeachment e denúncias de irregularidades são comuns no País, que já enfrentou dois processos de destituição presidencial e desgaste político severo em quase todos os demais que ocuparam o cargo. A diferença entre eles e o atual mandatário do País é a postura. Jair Bolsonaro prefere um caminho pouco regimental e nada assertivo: a manifestação pelas redes sociais, em geral permeada de um discurso nada esclarecedor. O melhor dos mundos seria um pronunciamento oficial, de preferência em cadeia nacional, em que acalmasse os brasileiros e se colocasse à disposição das instituições para a devida investigação. A melhor opção é e sempre será a fala oficial. O Brasil caminha para a retomada da economia, as expectativas são positivas para o segundo semestre. Manejar as instabilidades políticas com sabedoria e inteligência é o que falta ao presidente.