[[legacy_image_212628]] A decisão da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep+) [o sinal + representa convidados, como Rússia e México} de reduzir a extração diária do barril em 2 milhões de unidades já teve o efeito de valorizar a commodity, que de segunda-feira até ontem, acumula alta de 10%. Isso não significa que os preços continuarão disparando, pois o consumo tende a cair. Mas essa manobra da Opep+ pode estimular a chamada inflação da energia, que ameaça o próximo ano da Europa. Com a suspensão da oferta de gás pelo Kremlin há uma pressão sobre os preços dos insumos energéticos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os brasileiros já conhecem o impacto de uma subida da gasolina e diesel, que resulta na contaminação das demais cadeias econômicas, pois estão sujeitas aos custos dos combustíveis. No Brasil há outro efeito indesejado, que é o da recessão do Hemisfério Norte e do crescimento lento chinês baratearem as commodities, como minério de ferro e agropecuários, reduzindo as exportações do País em 2023, um ano previsto como de baixa expansão do Produto Interno Bruto (PIB), seja qual for o vencedor da eleição. O presidente americano Joe Biden, assim como os governos europeus pressionados pelo avanço da extrema direita, deve estar irritadíssimo com os aliados árabes, que aumentam a probabilidade do democrata ficar mais impopular com a subida da inflação no país. Entretanto, a prioridade da Opep+ são os negócios, observando os aumentos das cotações do produto desde o primeiro choque do petróleo nos anos 1970, que resultou em muita inflação e recessão e castigou o Brasil. O País, na época, além de ser um grande importador, não tinha reservas em dólar suficientes para essa conta, gerando uma fase de muita descrença e estagnação. Os problemas atuais parecem ser mais dos países ricos e alguns analistas dizem que o Brasil vai se beneficiar, porque os capitais externos vão ingressar no País para aproveitar a tendência mais favorável à bolsa brasileira. Entretanto, a nova ordem mundial não enterrou a fluidez do comércio exterior entre grandes economias. Os chineses, mesmo crescendo menos, não vão deixar de importar alimentos. Exceto no caso da carne, pois seu consumo cresce conforme os agricultores migram para as cidades e começam a consumir proteína animal - se a economia não avança, o governo trava essa migração. De qualquer forma, os preços das commodities devem cair, com menos dólares ingressando no Brasil. Isso deixa a moeda mais cara por aqui, retardando a queda da inflação. O cenário não é de fim dos mundos para o Brasil, mas de ficar atento aos riscos. O Banco Central hoje tem reservas internacionais de US\$ 340 bilhões, o que evita uma explosão do dólar, e a inflação está em tendência de baixa, restando a preocupação de como estarão as contas públicas em 2023 com as atuais promessas eleitorais e se eventual queda das exportações terá muito impacto no consumo e na receita com impostos.