( Agência Senado ) Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, seu quarto mandato coincidirá com uma safra de governos radicais de direita, contrariando as tendências políticas na América do Sul. A mudança mais recente se dará na Colômbia, com a vitória de Abelardo de la Espriella, que derrotou o esquerdista Iván Cepeda por uma diferença de 0,96 ponto percentual. Antes da Colômbia, o Chile, com José Kast, a Bolívia, com Rodrigo Paz, a Argentina, com Javier Milei, o Equador, com Daniel Noboa, e provavelmente a peruana Keiko Fujimori formam essa espécie de paredão direitista, totalmente oposto à esquerda. Por isso, a gestão petista terá que se esforçar para não ficar diplomaticamente isolada, lembrando que, com Milei, a relação não é amistosa, mas também não é de confronto. Entretanto, no caso dos ultradireitistas que já tomaram posse, multiplicam-se as dificuldades para cumprirem suas promessas, como as inspiradas nas megaprisões do el salvadorenho Nayib Bukele, no antissistema de Donald Trump e na redução do tamanho do Estado de Milei. Espriella se destaca por prometer ser muito duro com o narcotráfico, as guerrilhas de esquerda e paramilitares, grupos historicamente fortes. Ele espera contar com o apoio de Trump para travar uma guerra interna, porque não se prevê uma rendição. Mas, com base na forma como os Estados Unidos agiram em relação à Venezuela e ao conflito com o Irã, fica difícil acreditar que a Casa Branca vai querer se envolver em operações complexas. Kast é um exemplo de como é difícil cumprir um rol de promessas radicais. O presidente chileno tem enfrentado muitas críticas por não obter resultados rápidos contra os criminosos e não conseguir reduzir a inflação e acelerar as deportações de imigrantes ilegais, a maioria venezuelanos. Com isso, sua reprovação superou os 50%, segundo o portal UOL. Na Argentina, a aprovação de Milei melhorou recentemente, para 40%, segundo a agência Bloomberg, após cortes profundos na estrutura do governo, gerando grandes protestos. A inflação anual recuou de 43% há um ano para atuais 33%, um resultado ainda modesto, mas o país continua sem resolver o problema da falta de reservas internacionais para dar conta de seus compromissos externos. Passada a fase de promessas tão messiânicas, esses governos eleitos nos últimos anos enfrentam problemas parecidos que já arruinaram presidentes com orientação de centro ou de esquerda, mas do espectro tradicional da política. O risco é o de haver uma tentação autoritária, como a atribuída a Bukele, para cercar a oposição ou mesmo as críticas populares. Dessa forma, para-se de trabalhar pela modernização e desenvolvimento de economias pobres ou estagnadas para proteger regimes que tentam se perpetuar no poder. Espera-se que a democracia seja preservada como melhor forma de trocar governantes, quando estes demonstram incompetência ou não conseguem dialogar com os parlamentos.