[[legacy_image_279519]] O drama dos 150 afegãos que estavam no Aeroporto de Guarulhos e foram abrigados em Praia Grande e que ainda não sabem onde definitivamente residirão é apenas uma ínfima parte da crise dos refugiados no mundo. Segundo o governo, o Brasil já recebeu 9 mil imigrantes do Afeganistão desde a volta dos talebans ao poder, sendo que pelo menos 5,7 milhões, conforme a Acnur (agência da ONU para refugiados), já deixaram o país. Em Praia Grande, eles estão na Colônia de Férias do Sindicato dos Químicos. No caso da jornalista afegã entrevistada ontem por A Tribuna, sua família antes passou pelo Irã, sendo comum por expatriados transitarem por regiões provisoriamente, quando as condições de alimentação e higiene podem se tornar precárias e a exposição ao tráfico humano trazer muitos riscos. O drama dos refugiados é de difícil solução e exige um esforço dos países, o que não é nada simples, pois o movimento de milhões pode ser repentino ou durar muitos anos e até décadas. Os motivos são os mais variados, como uma queda de governo, como no Afeganistão, ou disputa pelo poder, como a do Sudão, onde duas forças militares se opõem. Segundo a Acnur, mais de 100 mil sudaneses se abrigaram em países vizinhos, o que é uma tragédia, pois são igualmente pobres como o Sudão. Há ainda fugas motivadas por guerras, como as da Ucrânia e Síria, que causaram uma crise humanitária, com uma disparada da imigração para a Europa. O Mediterrâneo é uma das rotas mais procuradas para quem sai da África e Ásia rumo à União Europeia, tornando-se comum o naufrágio de barcos precários financiados por aproveitadores. Há ainda questões de política interna que se cruzam com esse problema, como os curdos que a Suécia recebeu e que a Turquia alega haver entre eles terroristas que agiam em território turco. Também não se deve esquecer dos milhares de rohingyas, apátridas de Mianmar que fugiram para Bangladesh, muitas vezes cruzando de forma perigosa o Golfo de Bengala. A questão é mais complexa ainda, porque há o crescimento da imigração, em busca de melhores condições de vida e não por refúgio político, para países mais ricos, como Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Reino Unido. Esse movimento é tão grande que tem alimentado o crescimento de partidos de extrema direita, dando voz a grupos radicais carregados de preconceito, algo que os governos centristas conservadores e mesmo de esquerda terão que solucionar. A explosão da imigração também não deixa de ser uma tragédia. Não se trata apenas de buscar uma renda mais alta, mas de lutar pela própria subsistência, como no Haiti, devastado pelo terremoto, fraqueza do governo e gangues, que expulsam moradores de suas casas. Há um drama que precisa ser enfrentado e, no caso dos refugiados, é preciso haver um protocolo para atender essas situações, porque elas deverão se repetir.