O presidente disse também que é preciso analisar como ele recebeu o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes de questionar os resultados econômicos (Tânia Rêgo/Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a poucos passos de implantar mudanças profundas na segurança pública, após a proposta de emenda constitucional que trata do tema ter sido aprovada na terça-feira. Faltando apenas a promulgação, o petista vai inserir a União no combate à criminalidade, funcionando como um elo entre as corporações policiais dos estados e as do Governo Federal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É a melhor solução que se tem frente ao modelo atual, que se tornou obsoleto perante as facções, que, na verdade, são organizações transnacionais. Elas podem atuar simultaneamente em vários pontos do País e se associar aos grupos locais e às máfias internacionais. Por exemplo, hoje bandidos procurados no Nordeste se escondem nas zonas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro, de lá dando ordens para subordinados que ficaram em seus redutos. Também há uma associação além das fronteiras para trazer drogas dos países produtores e daqui transportá-las embaladas para a Europa, utilizando portos e aeroportos. Tamanha capilaridade das organizações criminosas exige das polícias o que não se tem com eficiência hoje, a sinergia entre sistemas de dados dos estados e uma ampla junção de forças para atuar sem burocracia e rivalidades, seguindo os mesmos protocolos. Também é preciso dispor de mais tecnologia, o que os bandidos, com mais dinheiro, já usam com desenvoltura, como armas modernas e sistemas que derrubam drones. Em sua essência, a PEC da Segurança Pública amplia o aproveitamento dos efetivos e da infraestrutura das polícias, endurece as penas contra os chefes das facções e simplifica os procedimentos. Por exemplo, guardas municipais não terão mais que registrar ocorrências em uma delegacia, utilizando seus sistemas próprios. Com novas ferramentas, Lula poderá mostrar serviço em uma área que não foi o forte de suas realizações em três mandatos. O que o move, atraindo para si tamanha responsabilidade, é a disputa política com a direita, algo que fez a tramitação da PEC se tornar uma novela quase interminável. Porém, o presidente terá que dar uma resposta à sociedade, que é reduzir a criminalidade. Trata-se de um grande desafio, porque grande parte desse enfrentamento continuará sob a responsabilidade dos governadores, com os quais o petista precisará trabalhar em sintonia. Como muitos são da oposição, não se sabe se isso dará certo. Para começar a implantar as mudanças, Lula criará o Ministério da Segurança Pública, que vai precisar de pessoal, recursos e infraestrutura, consumindo tempo precioso para as iniciativas saírem do papel. O presidente também terá que escolher um ministro com disposição para enfrentar as maiores pressões. O ocupante do cargo poderá vir de uma solução política, como o ex-ministro Fernando Haddad, ou técnica, como o promotor Lincoln Gakiya. De qualquer forma, quem for nomeado precisará de recursos e autonomia para conseguir produzir resultados.