Foto ilustrativa (Fábio Nunes/ Sema-CE) A redução consistente do desmatamento da Mata Atlântica indica alguma possibilidade de evitar a destruição total do bioma mais devastado do Brasil. Porém, os dados não justificam um clima de festa, pois a Mata Atlântica permanece ameaçada por estar acompanhada da faixa mais urbanizada do País, do litoral da Região Sul até a Bahia. E ainda por estar no caminho do avanço do agronegócio, nas áreas de transição dessa floresta para a caatinga, o cerrado e o Pantanal. Além disso, mudanças na legislação ambiental, afrouxando o licenciamento e dando maior autonomia às prefeituras, poderão estimular uma reversão da tendência de conservação, causando perdas muito preocupantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dois meios de monitoramento, com dados divulgados na semana passada, mostram que a devastação do bioma recuou. O Sistema de Alertas de Desmatamento da Mata Atlântica, parceria da MapBiomas, Arcplan e Fundação SOS Mata Atlântica, indicou que a área desmatada por ano caiu 28% em 2025, para 38.385 hectares, equivalente a 9,7 vezes a área insular de Santos. Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) investiga apenas florestas maduras – a mata original, sem intervenção humana, que abriga a maior diversidade e é essencial para o equilíbrio ambiental. Neste estudo, o Inpe identificou perda de 8.658 hectares em 2025 – 2,2 vezes a área insular de Santos. O resultado é o menor desde 1985, início da série histórica, com impressionante queda de 40% sobre 2024. Os dados são animadores, mas a Mata Atlântica está tão ameaçada que é possível esperar para o bioma duas possibilidades opostas, segundo o diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto. Uma das delas é a preservação a ponto de zerar o desmatamento. Do outro lado, há o risco de extinção desse tipo de floresta em algumas regiões do País, o que não é um exagero, simplesmente porque ela já sumiu em muitos trechos. Uma seca acentuada poderá reverter esse ritmo, beneficiando criminosos que se aproveitam de incêndios para avançar na ocupação ou extrair madeira. Mas especialistas dizem que os bons resultados têm relação com medidas econômicas contra os desmatadores, como vetar o crédito rural e embargar áreas de corte recente, suspendendo a comercialização da produção oriunda desses trechos. Os especialistas também dizem que a Lei da Mata Atlântica, criada há duas décadas, foi importante para combater a devastação. Entretanto, eles alertam que a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, em vigor desde fevereiro, permite que prefeituras, mais expostas a pressões locais do que as fiscalizações federal e estaduais, poderão liberar o desmate da vegetação primária e secundária e em estágio médio a avançado de regeneração. Isso preocupa, pois a preservação dos biomas é fundamental para o equilíbrio ambiental, como disciplinar chuvas, tanto para evitar a seca como para amenizar tempestades que arrasam as cidades.