[[legacy_image_154351]] A demora para o restauro do Teatro Coliseu, no Centro de Santos, repete a carência de investimentos e até de abandono de edifícios de uso cultural e de importância histórica. Entretanto, no caso do Coliseu, por sua relevância para Santos, a interdição há impressionantes seis anos de sua calçada da Rua Braz Cubas para impedir riscos, como queda de pedaços da fachada sobre os pedestres, simboliza o nível das dificuldades que o imóvel tem passado para sobreviver ao tempo. Em resposta para A Tribuna, a Prefeitura disse que esse bloqueio da calçada não prejudicou a população, pois pode-se passar com segurança do outro lado da Braz Cubas. Porém, trata-se de uma via movimentada e rota das principais linhas de ônibus, próximo ao Poupatempo. Imagine se interdições que demorem anos comecem a ser espalhadas pela Cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pelo menos, as obras de reparo do Coliseu foram retomadas e a primeira fase dos trabalhos deve ser concluída até 26 de abril, incluindo a liberação da calçada. De acordo com a Prefeitura, está em andamento a recuperação da fachada e dos conjuntos de janelas. Após essa etapa, começam o restauro da cobertura do palco e do terraço da fachada e também a modernização da iluminação cênica e atualização do sistema de para-raios, entre outros serviços. Por trás do atraso da reforma, estão problemas comuns na gestão de obras públicas, como falta de dinheiro e desentendimentos com empreiteiras. Neste caso, a Prefeitura firmou contrato com a Spalla Engenharia, de R\$ 4,273 milhões, com autorização para início das obras em outubro de 2019, mas o restauro foi paralisado no ano seguinte por insuficiência de recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), da Secretaria Estadual de Turismo e Viagens. Houve uma retomada, com a empresa reivindicando reequilíbrio financeiro do contrato, o que foi negado. Os dois lados voltaram a conversar e os serviços recomeçaram. Entretanto, ainda há busca por verba para a segunda fase da restauração sair do papel. São estimados R\$ 2,2 milhões para completar as melhorias internas e, para isso, a Prefeitura solicitou recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por fim, haverá ainda uma terceira etapa com recuperação de pinturas, sala da câmara e plateia, de valor não divulgado. Como se trata de um edifício histórico de grande porte, o Coliseu deveria contar com um plano preventivo permanente de preservação. Ele tem detalhes arquitetônicos que exigem reparo por mão de obra especializada e é indispensável para o meio cultural (se não fosse a questão da necessidade de reforma, provavelmente estaria em pleno uso), Os desafios do setor público para levantar recursos são conhecidos, mas se as dificuldades para manter e recuperar edificações desse porte e importância histórica se avolumarem, as perdas poderão ser definitivas.