(Reprodução/X) Os protestos na França, Itália, Espanha e Albânia, entre outros países, e as eleições no Brasil e na Sérvia têm em comum um personagem de volta às ruas: os jovens da geração Z, os nascidos entre o fim dos anos 1990 e começo da década de 2010. Os motivos para o engajamento dessa faixa etária, que já nasceu inserida no mundo digital, variam da defesa do ensino e da oferta de moradia a preço acessível a protestos contra a corrupção e a perda do poder aquisitivo. Entretanto, o grande poder que desfrutam é da rápida arregimentação por meio de redes sociais, utilizando memes e vídeos, viralizando a convocação de quem pensa parecido. Em muitas situações, os atos se tornam gigantescos e até violentos, chegando a derrubar governos. Os movimentos mais lembrados são o do Sri Lanka em 2022 e o do Nepal em 2025, que misturaram protestos contra o bloqueio de redes sociais e ações muito violentas contra os governos. A ideia se espalhou para Madagascar, Indonésia e Marrocos. Na América Latina, houve agitações no Peru e Paraguai e o uso do WhatsApp por jovens de esquerda nas passeatas da campanha do presidente Lula. Deve-se lembrar também que essa faixa etária conseguiu eleger jovens de diferentes frentes políticas. Na Europa, apesar da França, por sua tradição de movimentos de rua e com muita força política, ter atraído a atenção da imprensa internacional, os atos na Albânia e Sérvia se destacaram. Jovens albaneses, que meses atrás passaram a protestar contra a concessão de uma ilha para o genro de Donald Trump, Jared Kushner, instalar um resort de luxo, evoluíram para atos contra o governo. Na Sérvia, estudantes foram às ruas contra a corrupção e a negligência no desabamento da cobertura de uma estação de trem em 2024, que causou 16 mortes. O protesto cresceu, atraiu outras camadas da sociedade e levou à derrota de Aleksandar Vucic, que dominava a política desde 2012. Nas eleições do último domingo, essa onda, antes somente juvenil, disputou o pleito legislativo com a Lista Estudantil, que não era composta por universitários, mas por profissionais de diferentes áreas da sociedade. Ela conquistou 52% das cadeiras do Parlamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47 milhões de brasileiros pertencem à geração Z. Segundo pesquisas, essa faixa etária apresenta níveis mais elevados de ansiedade em relação às gerações dos pais e avós e defesa da liberdade de expressão, dos valores pessoais e da qualidade de vida. Mas a geração Z já começa a enfrentar problemas para encontrar fontes de renda, pois a inteligência artificial tende a substituir as atividades delegadas a esse público menos experiente, como digitação, triagem e redação de textos básicos. Incerteza sobre o futuro e inquietação política típica dos jovens, turbinada pelas redes sociais, sinalizam que a agitação desse público, nas ruas ou no mundo digital, vai continuar e deverá render novos capítulos.