(Reprodução) Com os aumentos na conta de luz, nas mensalidades escolares e nos preços do ovo e do café, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro saltou 1,31%, frente a 0,16% em janeiro e 0,83% há um ano. Além disso, a inflação no acumulado dos últimos 12 meses superou a marca de 5%, atingindo 5,06%, bem acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. Mesmo assim, o governo se recusa a aceitar que a causa principal dos reajustes nos supermercados e serviços foi a injeção de recursos federais, aquecendo fortemente a economia no ano passado. O consumo aumentou acima da capacidade do País, encarecendo de forma quase disseminada os itens que compõem o IPCA. Se o presidente Lula seguisse sua estratégia do primeiro mandato, de austeridade com as contas públicas, o País teria provavelmente crescido menos, mas continuaria avançando de forma sustentável, sem risco de freada brusca como agora. Dois dos principais fatores por trás da alta em fevereiro, os reajustes da luz e das escolas, foram sazonais (não se repetem na maior parte do ano). A energia subiu forte porque não houve desconto do bônus de Itaipu, uma redução, em média, de quase R\$ 50 aplicada na conta de janeiro. No caso do ensino, o setor concentra no início do ano seus aumentos. Já os alimentos sobem com constância há quase um semestre. Os economistas dizem que desta vez, nesse grupo, as altas se deram em um número menor de itens, uma excelente notícia. Porém, os produtos atingidos pesaram no bolso – em apenas um mês o café moído ficou 10,77% mais caro e o ovo, 15,39%. Este último tem relação com a gripe aviária nos EUA, desabastecendo o mercado americano e aumentando a importação de granjas do Brasil. O problema do governo manter os gastos elevados, além de causar endividamento a juros elevados, é o de forçar o Banco Central a manter por mais tempo sua política restritiva de taxa Selic elevada. Por enquanto, a previsão é o BC subir a taxa em um ponto percentual na próxima quarta-feira e realizar um ou outro aumento de 0,50 ou 0,25, observando ao longo da segunda etapa do ano os efeitos de sua estratégia. Porém, se a gestão federal desaguar muitos recursos no mercado, a pressão sobre a oferta não vai arrefecer. Pelo menos o discurso do presidente Lula tem sido nesse sentido. Entretanto, na última quarta-feira, a equipe econômica pediu ao Congresso para tirar R\$ 7 bilhões do Bolsa Família, deslocando-os a outros programas, evitando subir as despesas da União. O mercado gostou e o dólar teve leve queda. Mesmo assim, os agentes econômicos permanecem dominados pela incerteza. Não sabem até que ponto o governo apertará o cinto, qual será o impacto da política tarifária de Donald Trump no Brasil e se o dólar realmente vai se acomodar como agora. O País depende também de um clima equilibrado, colaborando para uma excelente safra, condição essencial para derrubar os preços dos alimentos.