(Divulgação) O saldo positivo da balança comercial no primeiro semestre, de US\$ 42 bilhões (com julho chegou a US\$ 49 bilhões), foi o segundo maior da série histórica. É um dado que impressiona porque o País não tem taxa elevada de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nem as cotações das commodities estão em alta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além disso, a China, principal cliente do Brasil, reduziu seu acelerado desenvolvimento e parte da Europa está em recessão. O superávit tem algumas explicações, como o câmbio favorável, que já estava atraente mesmo antes da recente valorização, o avanço das exportações do petróleo, resultado do desenvolvimento do pré-sal, e importações comportadas. Porém, os dados trazem um alerta importante sobre outro pilar da economia brasileira, a indústria. Seu saldo negativo no primeiro semestre foi o maior em dez anos, com US\$ 28 bilhões (importações menos exportações), segundo reportagem do jornal Valor. Portanto, os dados da balança apontam que a indústria brasileira segue sofrendo, perdendo gás perante a produção competitiva internacional, principalmente a chinesa. Conforme o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a indústria da transformação é dividida em quatro segmentos – três pioraram seu saldo comercial. A exceção ficou com o ramo de menor uso de tecnologia, associado à extração mineral e agronegócio, Já o setor de média sofisticação, que usa plástico e borracha, ainda manteve superávit, mas que caiu quase dois terços em um ano (de US\$ 5,71 bilhões no primeiro semestre de 2023 para US\$ 1,99 bilhão em igual período deste ano). Esse grupo sofreu o impacto das dificuldades da indústria siderúrgica, que enfrenta uma onda de entrada do aço chinês a preços muito baixos. Na média-alta tecnologia, a indústria automobilística concentra o mau desempenho, que pode ser explicado pela importação de carros elétricos chineses e a crise argentina. Mas também houve mau desempenho com reboques, carrocerias, máquinas e equipamentos. A importação de máquinas e equipamentos não é totalmente ruim, pois é um sinal de que as indústrias estão renovando o maquinário para aumentar a produção porque a economia voltou a crescer. Entretanto, segundo analistas, as empresas estão buscando produtos mais conectados à tecnologia digital, com os fornecedores brasileiros ainda atrasados para atender esse mercado. Parte desse déficit da balança da indústria tem razão externa, principalmente o fechamento de mercados do Ocidente à China, que busca países para desaguar seu excedente a preços baixos. Trata-se de um fator internacional que o País precisa estar preparado para enfrentar. Porém, o Brasil continua sem corrigir seus problemas estruturais, que tornam a produção mais cara, como mão de obra com má qualificação, sistema de transportes sem os devidos investimentos, muitos impostos e burocracia.