[[legacy_image_232818]] A previsão de crescimento da indústria brasileira, de 0,8% no próximo ano, segue o mesmo recorte para os outros setores, conforme A Tribuna publicou no último domingo. A expectativa é de expansão moderada, com aceleração no segundo semestre, a depender do novo governo. Uma eventual frouxidão com as contas públicas poderá manter a inflação aquecida, com o Banco Central adiando a redução dos juros. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Isso restringe a oferta de crédito, o que desestimula o consumo e os investimentos. Esta é a análise clássica dos economistas para um contexto de aperto econômico, acrescentando que uma recessão mais forte nos países ricos diminui as exportações, pois a queda da demanda derrubaria as cotações das mercadorias agrícolas e minerais. Entretanto, o setor industrial poderá ter sua dinâmica alterada com a política econômica do novo governo. Com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Transição, os recursos estão garantidos para o Bolsa Família, beneficiando o varejo. Mas falta saber se outra parte da indústria, a de máquinas e equipamentos, que são usados para produzir bens ao consumidor, como alimentos e eletroeletrônicos, ampliará as vendas. Para isso, é preciso reduzir a capacidade ociosa (parte das fábricas sem uso por falta de demanda) para depois investir em expansão industrial. Pois é nesse ponto que o ex-governador Geraldo Alckmin, que será ministro da Indústria, poderá demonstrar sua eficiência. O Brasil está há décadas sem política industrial e na campanha eleitoral se falou superficialmente em “reindustrializar” o Brasil. Como? Pouco se sabe sobre o que se pretende fazer. A falha mais evidente da indústria brasileira é a baixa competitividade. O País não consegue produzir de forma barata, o que limita ao setor industrial crescer com vigor geralmente nas fases de câmbio favorável, com o dólar mais caro, como agora, desestimulando a importação. No atual governo, houve uma abertura pontual a alguns produtos estrangeiros, como bicicletas de alto custo, com a justificativa de forçar o item nacional a se modernizar. Porém, não se teve uma meta ambiciosa de comércio exterior. O certo seria chamar o país exportador beneficiado e perguntar o que ele abriria em troca à indústria brasileira. Para fazer a indústria brasileira crescer mais rapidamente, é fundamental mais crédito e políticas específicas para setores em expansão dominados por importados, como equipamentos para novas energias (fontes solares e veículos elétricos). Há ainda a necessidade de reduzir a tributação da mão de obra, que hoje gera muita arrecadação, sendo que o próximo governo não terá espaço para abrir mão dessa receita, considerando suas pretensões de gastos sociais. Portanto, Alckmin terá que fazer uma costura tributária com o futuro titular da Fazenda, Fernando Haddad, para deslanchar uma política industrial.