(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) O mundo continua pagando caro pelas extravagâncias de Donald Trump. Enquanto o presidente dos Estados Unidos trata a guerra no Irã como algo corriqueiro, sem maiores consequências, vidas se perdem e a economia global entra em declínio. Habituado a idas e vindas, como se estivesse debatendo amenidades nas redes sociais, Trump disse ontem que “o Irã está implorando para fazer um acordo”, mas frisou que nem tem “certeza” de que ainda está “disposto a fazer um acordo”. Para um líder como ele, a continuidade do conflito não é um problema, pois armas e soldados não lhe faltam. Do outro lado, apesar da nítida desvantagem, o Irã faz jogo duro e tenta transparecer segurança mesmo após a morte de diversos líderes. Sem ter como atacar diretamente os norte-americanos, as forças iranianas bombardeiam vizinhos simpáticos aos adversários e fecham o Estreito de Ormuz, principal rota marítima energética da atualidade. O regime iraniano é cruel em sua quase totalidade, e a um país do porte dos Estados Unidos cabe trabalhar para salvar vidas, como acontece há décadas, com acertos e erros evidentes. Contudo, a cada ação acompanhada de ataques e violência, é preciso medir os reflexos. Afinal, eles vêm a galope e não respeitam fronteiras. No Brasil, o preço do óleo diesel subiu e nem os esforços do governo, com a concessão de subsídios, incluindo a retirada de alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais incidentes sobre o combustível, resolveu a questão. Para piorar, o óleo utilizado por ônibus, caminhões e tratores é o derivado do petróleo que mais sente a pressão internacional. E o Brasil importa 30% do óleo que consome. Não por acaso, do início do mês para cá, convive-se com o fantasma de uma greve de caminhoneiros e com a alta de preços, especialmente a dos alimentos, a mais sensível de todas. Na esteira dos acontecimentos, o Banco Central manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia em 2026. Em seu Relatório de Política Monetária, divulgado ontem, a autarquia destaca, entretanto, que a atual previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo País, está sujeita a oscilações diante dos efeitos diretos e indiretos dos conflitos no Oriente Médio. No ano passado, o PIB fechou em 2,3%, puxado pelo agronegócio e pela expansão em todas as atividades. Do lado cheio do copo, o mercado de trabalho continua aquecido, com queda do desemprego e aumento dos salários. Diante do cenário desafiador, e sem uma solução que se possa avistar a curto prazo, o Banco Central destaca que a inflação deve subir até dezembro, inclinada a iniciar uma trajetória de queda, mas ainda permanecendo acima da meta estipulada. Em um ano eleitoral, com disputas políticas acentuadas e a tendência a se buscar respostas simples para problemas complexos, o risco de erros estratégicos cresce, assim como as consequências amargas.