( Rovena Rosa/Agência Brasil ) O Censo realizado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe uma grande surpresa, na época de sua divulgação, que foram os 12 milhões de habitantes a menos do que o projetado para o ano. De 214,8 milhões esperados pelo IBGE, foram encontrados de fato 203 milhões, relembra reportagem do jornal Valor, que ouviu novas análises de especialistas no tema. Também impressionaram a desaceleração do crescimento das grandes metrópoles, em especial, do Sudeste e Sul, e a expansão de municípios interioranos, atribuída à pujança do agronegócio e à vontade de residir em regiões menos violentas. Entre as causas apontadas para um erro tão acentuado da estimativa populacional estavam falhas no levantamento motivadas por problemas de organização, pois o Censo foi adiado ou muitas famílias não aceitaram receber os pesquisadores com medo de assaltos, e principalmente a queda muito mais intensa da natalidade, reflexos da modernidade e da pandemia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O economista e ex-diretor do IBGE Paulo Tafner estima que 3 milhões de brasileiros deixaram o País em uma década, até a conclusão do Censo. A avaliação dele é de que esse público que decidiu emigrar não apenas significou uma subtração elevada de habitantes, como interferiu na natalidade do País. Como os que optam pela emigração têm geralmente até 40 anos, isso também estaria por trás do baixo nascimento de bebês, um fenômeno já esperado, mas que após o Censo de 2022 assombrou pela rapidez que atingiu o Brasil. Há ainda outro montante de 5 milhões a 7 milhões estimados por analistas que seriam os não contados, chamados de subenumerados pelo IBGE. De acordo com os dados levantados pelo Valor, em 2022 e no ano passado, 1,051 milhão de brasileiros emigraram com intenção de não voltar (documentos solicitados na saída podem indicar essa decisão) – no caso de 2023, essa fuga definitiva equivale a 6,5% do total de emigrados. A fuga do País, que ainda depende de mais dados do Censo a serem divulgados pelo IBGE, levanta uma preocupação sobre o País. Visto como terra das oportunidades por sua extensão, economia diversificada e passado de atração de estrangeiros, o Brasil passou a exportar mão de obra. Nos anos 1980, boa parte, muitos da região de Governador Valadares (MG), que ia tentar a vida nos EUA, tinha baixa capacitação e meta de voltar com dinheiro. Hoje, alertam os especialistas, a emigração é de trabalhadores qualificados que levam a família toda, sinal de que não planejam voltar. Isso indica uma descrença no Brasil, que desde os anos 2010 registra baixo crescimento intercalado com recessão. Ao mesmo tempo em que o País investe na formação de parte de seus jovens, ele não transforma isso em progresso porque não conseguiu resolver ao longo das décadas suas dificuldades. Assim, não há como desenvolver a nação sob todos os aspectos.