Imagem Ilustrativa (Pixabay) Levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que sete em cada dez municípios que poderão receber novas escolas médicas não têm infraestrutura adequada para uma faculdade de Medicina, com deficiências como ausência de hospitais de ensino ou número insuficiente de leitos na rede pública (SUS) e de equipes nos programas de saúde da família. O CFM contabiliza 294 pedidos de autorização de novos cursos e vagas que tramitam administrativamente ou por força judicial no Ministério da Educação. Alguns pedidos são para cidades onde já há cursos em funcionamento. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Esses processos buscam autorização para abertura de vagas em 182 municípios brasileiros, dos quais 132 (72,5%) não cumprem os requisitos considerados imprescindíveis para o funcionamento de um curso, como no mínimo cinco leitos SUS para utilização pelos acadêmicos, hospital-escola ou unidade hospitalar com no mínimo 80 leitos, atendimento de urgência-emergência, entre outros itens. Das 182 cidades, 50% delas têm hospital-escola, 35% têm leitos SUS na quantidade prevista e 130 já possuem faculdades de Medicina. O Brasil tem, hoje, 390 cursos em funcionamento, totalizando 43 mil vagas, em 250 municípios. O CFM tem acompanhado a infraestrutura nessas cidades para avaliar que condição oferecem à formação médica, e parte delas já não cumpre os requisitos necessários, especialmente quanto à oferta de vagas de internação. É fato que 250 municípios em um universo superior a 5 mil é número insuficiente, o que demandaria a abertura de novos cursos para pulverizar a formação e levar atendimento médico, ainda que em nível de estágio ou internato, a quem não tem acesso à rede pública pela insuficiência de profissionais. Essa é uma matemática compreensível para um país que carece de todos os profissionais de saúde. No entanto, deve-se questionar que tipo de médico estará sendo formado em uma instituição que não tem a estrutura adequada para fazer um ensino de excelência, em especial nos quatro anos finais da faculdade, quando as atividades práticas estão mais presentes na grade curricular. Depois da Índia, que tem população superior a 1,2 bilhão de pessoas e pouco mais de 600 escolas médicas, o Brasil é o segundo no ranking mundial de cursos de Medicina: 390, com pouco mais de 200 milhões de habitantes. A abertura de novas faculdades ou ampliação de vagas deve ser autorizada com meticulosa avaliação não apenas sobre a real necessidade, mas também da infraestrutura que esses alunos terão durante sua formação. Além disso, o critério de acesso deve continuar sendo o rigoroso processo seletivo e não a condição financeira da família em pagar as expressivas mensalidades. Colocar médicos mal formados ou com deficiências de formação no mercado de trabalho é nivelar por baixo o atendimento que oferecerão quando estiverem com o diploma na parede.