Na última quarta-feira, a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, completou um ano. A ofensiva nos complexos da Penha e do Alemão deixou 122 mortos, sendo 117 considerados suspeitos pelo Estado, porque a investigação ainda não foi concluída, e cinco agentes – três policiais civis e dois PMs. Porém, assim como em outras iniciativas pelo País, esta não foi suficiente para abalar o poder da facção dominante e que era alvo da ação, o Comando Vermelho, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A região continua sendo utilizada como fortaleza do CV e “home office” de líderes criminosos de outras partes do Brasil, que pagam proteção para se esconder de rivais e da polícia de seus estados. De lá, dão ordens a distância para manter o domínio de seus territórios. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Aliás, a Secretaria de Segurança Pública fluminense diz que a Operação Contenção não se resume à ocupação dos complexos na época e que as atividades continuam. Já o Ministério Público Estadual afirma que as forças de segurança miram a apreensão de fuzis, a asfixia financeira do crime organizado e o combate de rotas dos tráficos de drogas, armas e munições. Porém, a persistência do crime organizado naquela região comprova que as estratégias adotadas para enfrentar o fenômeno das facções precisam ser revistas. O banditismo incrustado nos complexos da Penha e do Alemão também prova que essas organizações estão estruturadas nacionalmente, com aplicativos de mensagens e equipamentos eletrônicos permitindo agir simultaneamente em redutos espalhados pelo País. Há ainda uma gestão hierárquica bem administrada e parcerias estruturadas para dividir suas atuações nacionais. Portanto, não é mais possível encarar a criminalidade nos morros do Rio de Janeiro ou nas periferias paulistas, ou atividades dessas organizações na mata do Amazonas como problemas específicos de cada um dos governos estaduais. Todos os estados têm problemas em comum, como falta de recursos para investir na inteligência da investigação e no aumento dos efetivos policiais, assim como preparar suas forças para evitar abusos na repressão e combater a corrupção. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública amplia penas dos chefes das facções e reorganiza as atribuições da União e dos estados frente ao crime, mas ainda depende de aprovação no plenário do Senado. A PEC, proposta pelo Poder Executivo, na verdade, patina desde o início de sua tramitação devido à disputa política pelo tema, inclusive resultando na falta de consenso para ir à votação entre o primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais. Trata-se de um absurdo, porque mudanças profundas na segurança pública não podem ser adiadas. Há grandes divergências entre direita e esquerda sobre os vários aspectos do combate ao crime, mas a realidade das ruas não pode mais aguardar a lentidão com que esse tema é tratado no Congresso.