[[legacy_image_155264]] É inegável que a Rússia pode adotar seu poder de fogo máximo para acelerar a queda da Ucrânia – mas conforme a revista britânica The Economist afirmou, se Vladimir Putin tiver que agir assim, terá sido uma derrota para ele. Assim como se diz que essa guerra marca uma nova ordem mundial, com Estados Unidos de um lado e a Rússia pendendo para a China do outro, o conflito também mostra a força da conectividade do indivíduo com sua comunidade e o mundo por meio das redes sociais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ao mesmo tempo em que os ucranianos podem se organizar por meio de aplicativo de mensagem para reagir contra os invasores, milhões de apoiadores, inclusive russos, conseguem se articular em uma corrente contrária ao plano covarde de Putin de dominar um país sem condições de suportar um conflito demorado e um oponente com poderio mais avançado. Regimes totalitários e ferramentas tecnológicas também podem servir para coibir eventuais reações do bem da sociedade. Inclusive, há muitos especialistas em comunicação que acreditam que tais avanços ajudarão ditadores e governos extremistas a controlarem seus povos por meio do monitoramento. A tendência é surgirem formas cada vez mais sofisticadas de disseminar notícias falsas para dividir a sociedade e enfraquecer adversários. Por enquanto, essa conectividade também pressiona o outro lado – Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido. No caso da Ucrânia, quem está no poder é um outsider, o humorista Volodymyr Zelensky. Pelo menos na reação à invasão, ele soube cuidar bem da comunicação e de forma sutil pressionar o Ocidente com o argumento de que a nação foi abandonada por seus aliados a Oeste. Os membros da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) parecem ter sentido o impacto de suas imagens, de fraqueza e imobilismo, frente a um Putin estrategista. Mas os ucranianos mostraram forças militares mais preparadas do que se imaginava, com os russos com dificuldades logísticas para avançar. Isso também fez a União Europeia liberar um pacote de ajuda militar de € 450 milhões (R\$ 2,59 bilhões). Para Putin, basta despejar bombas de seu poderoso arsenal militar, mas a repercussão com imagens de civis feridos ou mortos e de crianças apavoradas é o que o Kremlin deve querer evitar, até porque isso dará mais combustível a protestos internos contra soldados do país morrendo e matando em uma guerra estúpida. No fim de semana, atos pró-paz se espalharam pela Europa e EUA, como Lisboa, Madri, Berlim e Nova Iorque. No futebol, houve muita solidariedade, inclusive com #stopwar (pare a guerra) no placar do jogo do Athletico e Operário, na Arena da Baixada, em Curitiba (PR). Contudo, é preciso muito mais. No domingo, em Mariupol, no leste da Ucrânia, o socorro a uma menina ferida em bombardeio em área residencial foi acompanhado pela Associated Press. Médicos tentaram reanimá-la, mas ela não sobreviveu.