[[legacy_image_252383]] O programa Minha Casa, Minha Vida é uma sinalização importante deste governo para o setor da construção civil. O segmento mais pobre da população merece toda a prioridade, e a segurança de uma casa própria é a melhor forma de oferecer qualidade de vida e a possibilidade de conquistas das famílias no âmbito da educação, saúde e renda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, espera-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja atento a todo o segmento imobiliário, o que inclui a classe média, o mercado de imóveis comerciais e o nicho de galpões, que atendem principalmente os varejistas on-line que precisam se instalar no entorno das grandes cidades. Não se trata de disseminar uma série de programas de estímulo, mas de investir no aumento de crédito e na segurança jurídica para que todo o setor imobiliário possa manter uma rota de crescimento por um período mais sustentável e prolongado. Os juros altos são um entrave, mas profissionais mais antigos lembram que o mercado já engrenou com taxas até de dois dígitos. O problema gira na disponibilidade de financiamento, com falta de prazos de pagamento esticados ou regras claras para reduzir os riscos dos bancos. Há diferentes públicos a serem atendidos, desde os que buscam a primeira moradia aos que miram um imóvel mais espaçoso ou, pelo contrário, menor no caso de solteiros, separados, universitários, recém-casados ou casais cujos filhos se mudaram. Existe ainda o público que busca os usados, um nicho que costuma abastecer de recursos o próprio segmento de novos devido à necessidade de vender o apartamento antigo para comprar outro moderno. No fim das contas, o próprio mercado se adapta às condições e tendências do momento, com produtos que casam com as novas necessidades dos compradores e das famílias, como os compactos para atender a demanda dos domicílios de um só morador ou residências mais espaçosas, uma preferência retomada na pandemia. O setor da construção civil e o segmento de compra e venda de imóveis são de grande importância para o mercado de trabalho. Eles carregam um potencial de geração de empregos de forma disseminada pelo País e não apenas no Sudeste ou nas grandes metrópoles. Também geram renda para uma camada mais pobre da população e movimentam toda uma cadeia de prestadores de serviços. No Minha Casa, Minha Vida, a ideia é dar prioridade à baixa renda, lançando 2 milhões de moradias até 2026, parte disso com a retomada de obras paradas. A grande dúvida é se haverá recursos para isso tudo ou para manter o programa apenas funcionando a um nível razoável como vitrine eleitoral. Como esse público depende de muito subsídio, será necessário um pesado aporte de recursos do governo. Por outro lado, se o País ingressar em uma tendência de queda da taxa Selic, os empréstimos para a classe média ganharão um empurrão, dando uma injeção de capitais na construção como um todo.