[[legacy_image_180372]] Não bastasse a disparada dos preços dos combustíveis, é esperada para o próximo semestre uma crise no abastecimento de diesel. Há um risco de escassez do produto por conta da Guerra da Ucrânia, aumento da demanda devido à reabertura das economias e por questões de distribuição no Brasil. Ainda não é possível identificar a intensidade do problema e se isso vai causar mais aumento de preço nos postos ou, na pior das hipóteses, se o motorista vai ficar sem o produto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No caso do Brasil, esse risco pode causar profundo impacto na economia, pois a logística está concentrada no transporte rodoviário, ao mesmo tempo em que os caminhoneiros pressionam o governo por algum tipo de congelamento de preços. Trata-se de um problema econômico de profundo impacto político, ainda mais em um ano eleitoral. O centro da crise do diesel está na pandemia, que em 2020 atrasou as cadeias de produção, que não deram conta da procura na hora em que os países voltaram a crescer. Por sorte, essa retomada é desigual no mundo, com economia estagnada no Brasil, desacelerando na China devido à política de covid zero ou com alguns países ricos, daqui para frente, crescendo devagar com a subida dos juros para frear a inflação. Esse fator sanitário agora tem o ingrediente da Guerra da Ucrânia, com o diesel mais utilizado em consequência à suspensão da oferta de gás russo, lembrando que as sanções ao Kremlin ainda não atingiram para valer o petróleo. Há ainda a própria demanda pelo produto nos Estados Unidos, que está acima do normal e de seus parceiros mais ricos e que reduziu os estoques do produto. No Brasil, o que preocupa é a dependência do produto importado em momento de pressão política sobre a Petrobras. A estatal é responsável por 70% desse combustível, comprado pelas grandes bandeiras - Ipiranga, Shell (Grupo Raízen) e Vibra (antiga BR). Os 30% restantes são importados por essas três empresas, ressaltando que a Petrobras não quer mais adquirir o produto no exterior. Como aqui os preços estão desalinhados com os internacionais, a estatal não pretende usar seu caixa para pagar as cotações externas e reduzir suas margens aqui dentro. A grande dúvida é o que o governo pretende fazer nesse caso. Até porque a preocupação central do Planalto é eleitoral e a prioridade é que o preço não suma na bomba. Já a Petrobras desenvolveu uma série de regras internas para resistir às interferências de Brasília. Dentro de poucas semanas a diretoria deverá estar toda trocada por executivos nomeados para fazer o que o controlador estatal quer e fica a preocupação se isso vai fazer a empresa perder dinheiro ou, no médio prazo, ter dificuldades para pagar sua dívida e fazer os investimentos no pré-sal. Mas há o desafio de curto prazo de não deixar faltar diesel, o que exige ação urgente do governo junto à cadeia do petróleo para o desabastecimento não se confirmar.