A Petrobras espera que o pico de produção do pré-sal seja em 2034, segundo o jornal Valor Econômico. Isso significa que haverá a tendência de queda de produção, entrando em decadência. Por isso, está correto o esforço da empresa de pesquisar as potenciais reservas no oeste da Margem Equatorial, na costa do Amapá. O impacto ambiental é inevitável, ainda mais na bacia da Foz do Rio Amazonas, justificando a pressão dos ambientalistas contra a exploração naquela parte. Porém, o País não pode ficar sem essa riqueza, voltando a depender das importações, ainda mais com tantas restrições na oferta do produto, cuja extração ainda está concentrada em áreas de elevado risco geopolítico, como no Oriente Médio. A produção no pré-sal das bacias de Santos e Campos segue em ritmo acelerado, o que, do ponto de vista econômico, também é um acerto. Se as cotações estivessem em uma fase prolongada de baixa, o previsível seria reduzir o ritmo da exploração, considerando que a retirada em águas ultraprofundas tem um custo maior. Porém, o preço do barril do tipo Brent subiu 53% em 12 meses e 38% desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. No começo do ano estava em US\$ 61, mas agora permanece na faixa de US\$ 100, após atingir US\$ 126, levando o governo a subsidiar os combustíveis. Apesar do conflito ter se estendido, a expectativa é que se caminhe para uma cotação mais razoável, mas não tão próxima de US\$ 61. Além da necessidade de manter o mercado interno abastecido e aproveitar bons preços, a estatal não pode retardar seus trabalhos porque há uma transição global dos combustíveis fósseis para os sustentáveis. Não haverá um abandono do petróleo, até porque o insumo continua sendo utilizado para inúmeros bens, mas a expansão dos carros elétricos e das matrizes energéticas limpas, cedo ou tarde, terá um impacto mais contundente pela desvalorização do barril. A Margem Equatorial é quase contígua à costa da Guiana e Suriname, onde já há extração, tanto que a Petrobras descobriu petróleo duas vezes no mesmo poço da pesquisa. Também existe a intenção de avançar com os estudos a oeste, até o Rio Grande do Norte, e também na região de Pelotas, entre o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tanta produção precisa ser feita mediante exigências rigorosas da legislação ambiental, um esforço sem limites para evitar acidentes e medidas compensatórias devido à poluição, inevitável desde a abertura de um poço. Entretanto, as possíveis descobertas de reservas na Margem Equatorial não podem ser motivo para reduzir os investimentos em energias limpas, lembrando ainda que as riquezas obtidas com o petróleo devem abastecer fundos para financiar o Brasil no futuro. Hoje, seus recursos já são drenados para diversos fins e não se faz a poupança realizada pela Noruega ao extrair o produto, garantindo a manutenção de seu desenvolvimento social nas próximas décadas.