[[legacy_image_270465]] Com exceção do projeto da regra fiscal, que foi aprovado com larga margem na Câmara, impressiona a coleção de derrotas do governo no Legislativo: derrubada dos decretos que alteravam o marco do saneamento, CPI do MST dominada pela bancada rural e esvaziamento, pelo Centrão, dos ministérios do Meio Ambiente (perdeu o cadastro rural) e dos Povos Indígenas (ficou sem a demarcação de reservas). No caso dessas pastas, ainda há um trâmite a cumprir e o Palácio do Planalto vai tentar revertê-las. Essa série de fracassos é imediatamente explicada pela ampla base eleita pela direita. Outro ponto é a fraqueza da coalizão governista, que está enfraquecida pelo próprio andamento da gestão lulista, descumprindo a promessa de campanha de compartilhar o poder com os apoiadores na eleição. Na prática, a palavra final é sempre a do PT. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há dois elementos a observar ainda. A atuação da base aliada e da oposição reflete a polarização que norteou as eleições, o que dificulta acordos, que antes fariam muito sentido. No imediatismo das redes sociais, fica difícil para o parlamentar, de direita ou esquerda, falar para seu seguidor que votou com o rival pelo bem do País. O segundo elemento é o fator Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que ao mesmo tempo conversa com direita e esquerda, com governo e oposição. Conforme analistas, seu maior trunfo é ser pragmático, cumprindo à risca o que negocia para entregar ao deputado o que mais almeja, que não é primeiramente apadrinhar nomeações para o Executivo, mas volumosas verbas do Orçamento. Esse dinheiro vai direito para o reduto eleitoral, com impacto nas urnas. Garantirá a reeleição. A duras penas, Lula descobre que sua terceira gestão tem um contexto político bem diferente das duas anteriores. Ou garante a Lira honrar compromissos com os deputados ou verá seu governo minguar no que depender do Congresso. Apesar dos juros altos, a economia se assenta com uma inflação em queda e o câmbio, que faz tempo deixou de ser grande problema. Se tudo continuar assim, haverá mais crescimento e empregos. São elementos importantes para a popularidade do petista, mas os sinais de um presidente mais fraco politicamente poderá gerar desconfiança nos agentes econômicos, o que prejudicaria a velocidade da recuperação do País. Analistas dizem que Lula, em seu terceiro mandato, está mais à esquerda, sem uma grande liderança petista a contestá-lo sobre suas decisões. Experiente e dado ao renascimento político, é possível que ele retome o pragmatismo de suas duas primeiras gestões, represando pautas da esquerda. Segundo reportagens, Lula já começou a acelerar a liberação de verbas do orçamento, como no dia da votação da regra fiscal. E obteve 372 votos favoráveis. Na última sexta-feira, ele reuniu seus ministros em um churrasco e é possível que dali saia o desenho de alguma mudança fundamental na sua gestão.