[[legacy_image_212174]] Os tucanos sofreram a sua pior e mais profunda derrota em São Paulo, mas na briga pelo Governo do Estado o cortejo dos dois finalistas sobre o PSDB é previsível. Há algumas semanas se dizia que o PT preferia Tarcísio de Freitas (Republicanos) como oponente por entender que o aliado do presidente Jair Bolsonaro teria mais dificuldade de angariar votos do centro. O primeiro turno mostrou que o bolsonarismo tem força impressionante para atrair eleitores às vésperas da eleição, algo que os adversários atribuíam ao PT nos anos 1990. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Deve-se esperar uma luta mais acirrada, talvez a mais árdua delas pelo Palácio dos Bandeirantes em muitas décadas, apesar de que a eleição no Estado nunca foi tranquila, relembrando os tempos de Orestes Quércia e Paulo Maluf até chegar aos tucanos, que triunfaram por muitos anos. A referência ao PSDB é importante porque há uma polarização e a sigla, ou pelo menos suas lideranças, como o próprio Rodrigo Garcia, terá que se mover para alguma direção. Ainda não se sabe se João Doria vai atuar nesta campanha, pois ele tem enfrentamentos nos dois lados. Do lado do PSD, o apoio de Gilberto Kassab será muito disputado. Na disputa estadual, há um ingrediente a mais, pois ela deverá espelhar a federal, ficando a dúvida, por exemplo, se Bolsonaro vai investir na pauta mais conservadora e, se assim for, qual seria o impacto disso no voto para governador. Lula, no sábado, indicou que não teria pudores sobre alianças, o que não é uma novidade, lembrando que já fechou acordo com o malufismo. O rumo dos petistas deve ser ir para o centro o mais intensamente possível, fechando portas a Tarcísio. O fato é que as pesquisas indicavam Lula à frente de Bolsonaro no Estado e há algumas semanas essa distância começava a encolher. No domingo, o presidente conseguiu quase 2 milhões de votos a mais do que o petista, uma diferença de sete pontos percentuais (47,71% a 40,89%). O que se espera é que o embate seja muito duro, mas não se imagina quais estratégias funcionarão daqui para frente, pois algumas já foram usadas. O que se teme é que a disputa eleitoral ceda a uma guerra de ofensas e discussões que ocupem toda a arena, impedindo o debate sobre as propostas. A diferença ideológica entre os dois está bem clara, sobre o nível da presença do Poder Público na vida do cidadão, mas é preciso ser mais específico. O paulista precisa discutir com muita profundidade projetos para suas regiões, seja na questão da geração de emprego, do ensino e da saúde como do saneamento, da segurança, do transporte do meio ambiente. Apenas dois candidatos se confrontando permitirá uma comparação frontal e a torcida é que a campanha do segundo turno siga por esse caminho. Entretanto, elas deverão estar coladas na presidencial, lembrando que Minas Gerais e Rio de Janeiro não terão segundo turno e o clima jáestará naturalmente mais quente.