(Alexsander Ferraz/ AT) A discussão sobre a verticalização de Santos está longe de ser um debate novo. Ao contrário, ela acompanha a própria história de uma cidade que, desde o século passado, precisou aprender a crescer em um território limitado. Com apenas 39 quilômetros quadrados na área insular, cercada pelo mar, pelos morros e por áreas de preservação, Santos enfrenta um desafio que poucas cidades brasileiras conhecem tão bem: como acomodar novas gerações, novos empreendimentos e novas demandas sem poder expandir suas fronteiras. É natural, portanto, que a renovação urbana aconteça. Aliás, ela acontece em todas as grandes cidades do mundo. Edificações envelhecem, usos se transformam, famílias mudam de perfil e a dinâmica econômica impõe novos ciclos de desenvolvimento. Impedir qualquer transformação seria condenar a cidade à estagnação. Por outro lado, aceitar que o crescimento ocorra sem planejamento seria igualmente irresponsável. O desafio está justamente no equilíbrio. A verticalização, por si só, não é um problema. Em muitos casos, ela representa uma solução racional para o aproveitamento do solo urbano. Permite adensar áreas já dotadas de infraestrutura, evita a expansão sobre regiões ambientalmente sensíveis e contribui para a renovação do estoque imobiliário. O problema surge quando o debate se restringe apenas ao número de andares ou à altura dos edifícios. A verdadeira discussão deve ser mais ampla. Cada novo empreendimento precisa ser acompanhado por uma reflexão sobre seus impactos na mobilidade urbana, na drenagem, no abastecimento de água, na capacidade da rede de esgoto e na oferta de serviços públicos. A cidade que cresce para cima também precisa garantir que as pessoas consigam se deslocar com eficiência e qualidade. Há ainda uma preocupação central: preservar a qualidade ambiental e garantir que Santos continue sendo uma cidade para todos. Mais adensamento exige mais áreas verdes, permeabilidade do solo e espaços de convivência. Também exige políticas permanentes de habitação, para que o desenvolvimento não amplie a segregação urbana. Crescimento e inclusão social precisam caminhar juntos. A verticalização não deve ser vista como uma disputa entre defensores e opositores dos prédios, mas como uma discussão sobre o futuro da cidade. E Santos tem uma virtude importante: seus grandes temas costumam mobilizar a sociedade. Por isso, poder público, especialistas, universidade, setor produtivo e comunidade precisam seguir debatendo de forma horizontal e construindo consensos. O território que se está construindo para todos é o mesmo, para esta e as futuras gerações. Uma cidade com as limitações geográficas de Santos não pode abrir mão do planejamento nem do diálogo. É dessa combinação que surgem soluções capazes de tornar seu futuro mais moderno, sustentável e inclusivo.